15 de junho de 2019

Redação: A conversão da arte

Estudante Laryssa Bahia
Colégio Ivo Leão - Curitiba

https://www.significados.com.br/arte/

A arte é algo que diferencia o ser humano em relação aos outros animais.  Raciocinar antes de agir e expressar nossos sentimentos artisticamente são formas de ocupar a mente e o tempo. Mas não foi o caso do massacre em Suzano (SP) e na Sinagoga da Nova Zelândia. Os indivíduos que causaram aquelas violências não se expressaram de uma forma saudável. Ao invés de matar pessoas, eles poderiam ter encontrado na arte um antídoto para os conflitos que provavelmente estariam vivendo.
       Observa-se que a violência dos atentados em Suzano e na Sinagoga são uma amostra da devastação causada pelo ódio e a intolerância. Em Susano, principalmente, vidas foram brutalmente violentadas, mesmo sendo ainda muito jovens. Não tiveram sequer a chance de entender a “razão” daquilo. Se é que existe alguma. Tanto que quase toda a sociedade brasileira passou a se sentir revoltada e indignada pela grande dificuldade de suportar e superar tal episódio.
No entanto, infelizmente, os casos de Susano e da Sinagoga não são uma novidade. Ao se investigar mais profundamente, é possível encontrar muitas escolas do Brasil em que ocorrem ameaças. O problema é que muitos jovens acabam se camuflando em meio ao sofrimento e baixa autoestima. Com o passar do tempo, frequentando redes sociais de culto à violência e conversando com outros jovens com os mesmos problemas, podem vir a agir com agressividade, se tornando agressores em potencial.
Portanto, por meio da arte, problemas como esse não seriam tão comuns como vem sendo, já que esses jovens estariam ocupando o tempo com peças de teatro, filmes, músicas, pinturas e até palestras de superação. A arte é, sem dúvida, uma possibilidade na diminuição de situações de bullying, racismo e preconceito dentro das escolas. E essa diminuição é muito benéfica a toda a sociedade, que consequentemente passa a ter menos pessoas morrendo devido ao ódio e a intolerância.

15 de maio de 2019

Resenha: Peixes coloridos de Alto-Mar (Paulo Sandrini).

Por: Everton Marcos Grison


            Parece ser o movimento, no sentido pensado por Heráclito na Grécia antiga. O deslocamento do Ser e as intempéries estonteantes que representa a realidade mais imediata, o acontecimento diante dos olhos. É assustadoramente crível perceber que o ser humano é um movimento de “arremedo de si mesmo”, o pior que podia ser após uma chuva ácida desastrosamente gerada pela mesquinhez, egoísmo, destruição e individuação, expressões que nos definem enquanto seres caminhantes e defecantes.
            É no sentido de Thomas Hobbes e sua concepção de uma natureza humana má, que precisa dos freios do Estado, desse Leviatã que lhe controla a vida, os prazeres e aplica os desprazeres, pois soltos a própria sorte somos o pior do que podia ser. Parece o suprassumo da maledicência, da catástrofe anunciada, do grito das bocas silenciadas que insistem em dizer que somos uma total aberração cognitiva e causamos vergonha aos seres irracionais.
            O livro é movimento, tapa na cara e assalto de consciência. Lembra muito o cuidado linguístico de Dante Alighieri, que aparece citado na obra. Este mar com peixes coloridos em festa vem antes ou depois do Inferno da Divina Comédia? Certamente não estão relacionados à subida cansativa do Purgatório, que literamente cansa de ser lido, ou a monotonia do Amor de Dante e Beatriz no Céu. O Céu é sem graça e Dante faz questão de registrar isso.
            Sandrini elabora um livro apimentado por uma excelente carreira literária, trajeto de militância que não se arvorou aos ditames do mercado editorial, para estar na lista dos mais vendidos. Poderíamos dizer que é o autor que vai ser realmente reconhecido depois de morto. Eis uma das nossas facetas do quanto somos ridículos e fracos, do quanto carregamos a pedra como Sísifo na mitologia e no livro de Albert Camus, mesmo sabendo que vai dar sempre no mesmo e o resultado está traçado.
            Por vezes é o movimento do ódio e para saber trabalhar com isso é preciso mãos de aço. Sandrini nesta obra parece um observador que colocou uma capa de chuva, e está vendo as manchas aparecerem pelo corpo, enquanto anota tudo o que vê e aquilo que sente, do belo mundo que seus olhos presenciam. As cenas são muito fortes e, portanto, verdadeiras.
            A força da imagem transmitida pelas palavras lembra José Saramago e seu Ensaio sobre a Cegueira, mas com uma diferença muito específica: peixes coloridos de alto-mar é mais perverso. A força da imagem em movimento lembra o cuidado com a cena orquestrado por Raduan Nassar, nas obras: Um copo de Cólera e Lavoura Arcaica. Na verdade, a força da palavra se impõe dizendo: “chega de me comparar com os outros. Ninguém fez igual a mim. Audácia é para poucos e eu tive coragem de colocar tudo isso no papel. O embrulho queima. Pegue-o”.
            O livro, publicado pela Editora Kafka (Kafka teria orgulho dessa obra), possui 170 páginas, com um interessante texto de abertura (prefácio não é. Introdução não é. Enfim...) de Fernando Koproski, que ressalta: “É aquele tipo de livro que me faz acreditar em Literatura apesar da tamanha descrença desses tempos em que vivemos”. Essa mesma crença nos mobilizou a escrever essas parcas linhas, para dizer que o livro é um clássico. Provavelmente Nietzsche diria: é um extemporâneo. Cuidado,  pois a chuva se aproxima e as manchas começam a fisgar! Esperamos não ter estragado a festa. Do contrário, usem a automática com a mão firme e sem titubear. 

11 de abril de 2019

Livro: "Deuses, fantasmas e outros mitos"

Por: Jonas J. Berra

No início de 2018 descobri uma rede social do prof. Gabriel Filipe. A partir daí passei a  acompanhar suas postagens críticas contra  o charlatanismo religioso. Depois da metade do ano, fiquei sabendo que lançaria um livro sobre o pensamento mágico. Fiquei bastante interessado e fiz a reserva do mesmo. Foi com grande alegria que em fevereiro desse ano recebi um exemplar autografado. Fiquei tão feliz que resolvi escrever esse pequeno comentário sobre a experiência de ter lido o livro. 


      O livro é escrito em primeira pessoa. O autor parte de experiências muito próximas do seu e do nosso dia a dia, como o exemplo que ele fornece da chuva. Algo tão natural, mas que para muitos povos antigos seria um fenômeno sobrenatural ou mágico. Hoje, ainda há quem pense que a chuva é enviada por São Pedro. 
      Penso que o livro todo é uma nobre tentativa de nos mostrar que existe um mundo fora de nossa caixa, nossa caverna de ignorância, para usar o pensamento de Platão, citado na obra de Filipe. A maioria de nós não está habituado a confrontar as próprias cavernas e dirá que já fez isso e que já é uma pessoa bem esclarecida. Ninguém quer se colocar como um prisioneiro que acredita em sombras mentirosas e falsas. Quase todos querem se sair bem na história, como seres mais avançados. 
Autor: Gabriel Filipe
Graduado em Filosofia
Especialista em Ciência Política
Fundador da Revista Ateísta.
      É pelo motivo citado que é tão legal ler essa obra, porque diferentemente da obra de grandes filósofos, até mais importantes e reconhecidas que este autor, o livro de Filipe é acessível a um público que não está acostumado com a escrita rebuscada e precisa urgentemente repensar suas crenças e perceber quando elas estão lhe prejudicando e atrapalhando até as pessoas à sua volta. É um livro que se fosse lido e levado à sério ajudaria em muito a sociedade a sair das amarradas que impedem ela de evoluir intelectualmente e humanitariamente. 
   Quantas pessoas seguem à risca as sugestões de padres, pastores, astrólogos, cartomantes, numerologistas, homeopatas, pais de santos e até chegam a morrer por falta de travamento médico? O charlatanismo está nas religiões e cria escravos a partir de pessoas humildes e carentes, desprovidas de qualquer proteção intelectual contra suas artimanhas. Elas chegam a dar todo o dinheiro que tem a pastores, donos de fazendas, com a promessa de prosperidade. Mas, os únicos que realmente conseguem isso, são os líderes dessas máquinas de dinheiro, em que muitas Igrejas se tornaram. Tudo isso é criticado direta e indiretamente pela obra de Filipe, cuja leitura é um remédio para a ignorância dessas pessoas, ainda que eu saiba que poucas se darão ao trabalho de ler, já que a Bíblia é "o único livro verdadeiro" para elas.
Ilustração retirada de propaganda no facebook
     Filipe faz uma corajosa defesa do saber científico, nessa época obscurantista em que vivemos no Brasil, cujos ídolos não são professores, pesquisadores e intelectuais, mas o senso comum dos que pouco se importam com a verdade científica ou objetiva.
   O trabalho de Filipe traz uma fabulosa contribuição ao saber filosófico e a divulgação da ciência por meio de uma linguagem de fácil compreensão, mas não menos complexa, pois precisa de um pouco de atenção para entender seus argumentos. Mas é, sem dúvida, uma excelente leitura a ser feita, capaz de desafiar e mexer com a sensibilidade dos que continuam presos ao pensamento mágico e sobre os quais temos poucas esperanças de progresso. 


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Referência:

FILIPE, Gabriel. Deuses, fantasmas e outros mitos: o pensamento mágico no jogo das lacunas.. Linhares, ES: Pense, 2018. 

28 de janeiro de 2019

Resenha: “Cartas de uma Menina Presa (Débora Diniz e Talia)


Por: Everton Marcos Grison

“um livro para se demorar uma década”.

           
            Trata-se de um grande assalto. A pesquisadora é furtada pela jovem infratora, mas não nos seus bens materiais. Talia retira as categorias de uma pesquisadora, ambientada com o espaço do presídio, pois a investigação sobre a realidade das presas já havia se apresentado no livro: “Cadeia: relatos sobre Mulheres” (Civilização Brasileira, 2015). Neste livro, o subtítulo poderia ser uma anatomia do abandono, pois é exatamente isso que acontece com grande parte das presidiárias e os presidiários no Brasil. Há uma máquina sistemática da negação da ressocialização.
            Ocorre uma situação diferente no livro de cartas, publicado pela editora Letras Livres, no qual Débora se comunica com Talia, interna da Unidade Socioeducativa de Internação de Santa Maria, no Distrito Federal. A singularidade desse acontecimento, que não são apenas cartas, não se trata de uma denúncia, não é um drama, não é uma comédia, não é um romance. É o puro gênero da tragédia anunciada do roubo da liberdade, do fórceps que cala a voz de quem errou e precisa exorcizar seus sentidos por meio da fala. A fala, a escrita são negadas às internas, que fazem das paredes o papel de exorcismo de suas existências.
            O assalto é generalizado pois, enquanto a pesquisadora tem suas categorias colocadas em cheque, as próprias internas analisam o furto da justiça, materializado na caneta da juíza que nega e permite benefícios, a partir de critérios inscritos em planilhas bem organizadas, com relatórios de bons comportamentos, mas que não conseguem traduzir e falar da palavra dor, da ausência da liberdade, do esforço para se tornar alguém melhor. Os relatórios auxiliam a reforçar processos travados, que dão pouca perspectiva, aumentam o ódio e mantém as mãos das internas conectadas com a criminalidade.
            A acometida do tempo é  tamanha que só sobra o tempo da demora, da espera que não termina e do dia que não chega. Qual dia? Aquele em que a interna poderá tomar banho de chuva, molhando além das pontas dos dedos por entre as grades. Os sonhos são muitos, mas muitos infelizmente serão tragados pelo ritmo da rua, a sanha do crime, as falhas de oportunidades e a escassez de opções. Não é uma questão se escolher o crime, mas de ser conduzida pela própria mão a um pacto de sangue, que mata o primeiro que trair.
            A agressão deixa marcas e a principal delas é definida pelo tédio, ou seja, a inexistência de atividades, que ocupem o tempo, façam o indivíduo encaixar os cacos da existência, trocando as engrenagens ruins e azeitando as dobras de sua vida. “O tédio é insuportável. O que me ajuda a fazer os dias passarem um pouco mais rápido é a leitura. Eu leio todos os tipos de livro: história, mitologia grega, ação, suspense, espírita etc... Os livros são a minha fuga” (p. 09).
            Fuga do quê parece se perceber, mas para onde? Eis um dilema complexo e que tritura a mente da jovem Talia, pois quando lhe é concedido um benefício para sair no Natal, marcada com o gosto da desesperança da negação de um benefício anterior, para visitar a mãe no seu aniversário, tendo cumprido todo o ritual de regras e comportamentos, este novo benefício não havia sido solicitado e ao mesmo tempo que lhe traz alegria a saída, uma nuvem de tristeza se apresenta diante dos olhos, pois está desacostumada no tema da liberdade:

“E agora fico sabendo de uma noticia que eu já esperava, mas que não deixou de ser surpresa: eu ganhei um benefício de saída no dia do Natal. Uma parte de mim ficou feliz, mas outra, triste. Eu tenho um bom comportamento, meu relatório desceu excelente, todos da equipe técnica e da segurança me elogiaram para a juíza, eu fiz pedidos de saída e ela não respondeu nenhum, e mandou um ofício autorizando a minha saída em uma data que nem cheguei a pedir. Ela negou os outros pedidos e aceitou só o do Natal? Por quê?” (p. 83)


            O benefício assume um papel de prova, ou seja, se trata de um teste para ver se o interno vai resistir ao olhar convidativo da vida antiga, do acesso rápido à criminalidade, ao tráfico... Está em jogo uma análise de quanto a tranca se naturalizou na vida desse ser, do quanto ela ocupou espaços antes recheados de vida e risco. A investida completa da tranca é o retorno da interna, depois de três dias, para a vida mórbida da cadeia de papel:  


O benefício é um teste. Dia santo é um mercado bom para armadilha da vida antiga. Mas o que se testa nessa saída solitária de três dias? A morbidez da tranca. Não há isso de reabilitação, regeneração, ressocialização, ou qualquer outra palavra difícil para justificar os sentidos da prisão. O relatório excelente diz que você não tem gritado com menina ou donagente, encartuchado coisa proibida ou descumprido procedimento. Com isso, estaria preparada para sair, mas esquece o relatório que o mundo fora da tranca está o mesmo. É um teste: se pinar, é porque a rua ganhou; se voltar, é porque a esperança moveu as suas pernas... O benefício santo foi uma prova de ousadia: você ter que ser outra na rua, sendo a rua a mesma de antes. Eu não sei o que faria no seu lugar: voltar ou pinar não é escolha, é opção maldita” (p. 85).

            O sistema todo parece costurado com a linha do azar, que mantém os pontos atados, mas eles parecem estar espalhados diante de uma malha que se desfaz no corpo dos internos. Os poucos sonhos se desfazem na morbidez, nas dificuldades diárias, na herança da rua, que não se altera para receber o novo indivíduo produzido pelo Estado. A rua está de braços abertos para acariciar as dores de cada ser, sem qualquer alteração, promovendo os momentos de anestesia, com a cobrança da doação da vida. Ocorre quase que um pacto, pois cada ser perde se estiver ausente da rua e perde se estiver presente nela, pois suas possibilidades são micrológicas e seu nome será mais um no obituário daqueles que não passam dos quarenta anos.
            Como analisar isso, pensar enquanto ser que possui experiência, trabalhos reconhecidos internacionalmente, com uma intensa atuação em diferentes áreas do conhecimento, além de toda a proteção daqueles que são sábios, pois desses será o reino da proteção? Débora Diniz demonstra claramente sua grandeza e porque muitos lhe odeiam. É porque ela é honesta. Nada mais. Temos alguém honesto que troca cartas com as jovens da Unidade Socioeducativa de Internação de Santa Maria, no Distrito Federal.
            Trata-se da grandiosidade de alguém com 46 anos que reconhece para outro ser com 30 anos a menos, que a sua existência é uma antítese:

Não é fácil viver aí. A cada três dias, quando durmo no módulo, o cheiro demora a despregar de mim. Os sons do mundo me perturbam, a viagem de volta para casa é sempre apressada. Não sei por que acelero, se daí três dias volto. Eu era uma das pessoas que desconheciam a sua realidade. Agora a conheço e não sei ainda o que fazer com ela. Talvez eu não tenha a mente boa, talvez eu seja uma fraca; melhor confessar: não sou tão parecida a você. Eu não conseguiria sobreviver tanto tempo em uma tranca sem saber o dia da liberdade” (p. 89).

            Essa honestidade intelectual é um traço de poucos, infelizmente, pois manifesta o cuidado com a vida do outro. Seria mais fácil manter-se no pedestal da tranquilidade acadêmica, que igualmente ao presídio, produz relatórios para poucos lerem, alguns aceitarem e outros negarem os benefícios. É um mundo corporativo, protegido e de castas. Entretanto, o veio antropológico que cobra seu preço, exige o reconhecimento e posiciona cada indivíduo em contato com outro ser. Para ser antropólogo é necessário pagar um preço alto: se desfazer das amaras da proteção é um passo dado apenas pelos grandes.
            Para viver na cadeia de papel,

“...não uma cadeia de verdade, mas uma cadeia de papel: tem muros, grades, maldades e injustiças, mas não chega a ser uma cadeia do sistema prisional. Sabe qual é a diferença? Aqui apesar de não ser igual à cadeia regular, nós vamos para a escola; aqui, não precisamos pagar para dormir e comer; aqui, não precisamos dividir uma cela com trinta pessoas; aqui, nós temos um acompanhamento e pessoas que se preocupam com nós, e os agentes da segurança, não andam com uma arma apontada para nós. Essas são as diferenças”. “(p. 91)

            Não é simples, pois todos os dias são permeados pelas mais inusitadas relações e os mais complexos acontecimentos. Não basta ter sangue frio, ter fogo nos olhos e “peitar” os demais. O problema, para além da disputa, está nos momentos se silêncio, quando cada uma está em sua cela, perdida em pensamentos e lidando com o choque do escuro solitário. O rosto da solidão é enlouquecedor e leva muitas a saltarem no vazio do fim da existência. Muitas conseguem sucesso no salto. Já outras, quando estão perto de chegarem ao chão, tem o calcanhar agarrado pela interrupção. Até quando, é uma pergunta com resposta de ampulheta.
            O livro se organiza em um total de 24 pares de cartas trocadas entre Débora Diniz e Talia, além de finalizar com um “capitulo” de confissões da autora, perpassada e despida da figura de pesquisadora. Ao fim há uma espécie de glossário intitulado “palavra de menina”, que apresenta os significados de palavras e expressões usadas na cadeia. O download do e-book pode ser feito gratuitamente, e o livro físico pode ser adquirido por meio de contato com o ANIS (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero), em sua página no facebook. Os valores arrecadados com a venda, serão usados para ajudar a custear um curso a distância que Talia está fazendo.
 A cadeia é um lugar  linguístico, pois para além do som encravado nas paredes, existe as dobras das linguagens que se fazem por resistência. São pura criação. Por ser adornado de criação, sofrimento e choque, as 105 páginas do livro exigem uma década para serem digeridas. É possível deglutir o assalto da liberdade do Outro? Eis uma questão para daqui dez anos.