6 de agosto de 2017

Livros de Filosofia para 2018

Por: Jonas J. Berra      

      Como o prof. Everton já escreveu anteriormente em nossa página, neste ano temos escolha de livro didático para o Ensino Médio. Para isso, as escolas recebem exemplares de livros das diversas disciplinas e das diversas editoras. 
       No caso da Filosofia e Sociologia, temos a peculiaridade de não termos uma tradição no Brasil tão longa quanto Biologia e Português, por exemplo. Essas disciplinas e as demais já estão com seus conteúdos bem estabelecidos, com uma sequência didática mais solidificada. Por isso, é bastante difícil tomar a decisão sobre qual livro atenderá melhor a realidade de cada escola quando o assunto é a Filosofia e a Sociologia. 

     Foi mencionado pelo prof. Everton que uma opção interessante é o Filosofia: experiência do pensamento de Sílvio Gallo. De fato, se consideramos que a filosofia é uma atividade do pensamento que começa com a tentativa de solucionar problemas que nos espantam, realmente o livro é muito bom. Além disso, quando se "pega em mãos" o currículo de Sílvio Gallo percebe-se que a qualidade do material não é um acaso. Ele trabalha há bastante tempo com o ensino de Filosofia. 
       Com tanta bagagem fica até difícil criticar um trabalho amadurecido como é o dele. Um exemplo disso é a obra Ética e cidadania, escrita por um grupo de estudos sobre o ensino de Filosofia. Percebe-se que existe uma base epistemológica bastante sólida na obra e um caminho que vem sendo percorrido à bastante tempo.
Prof. Dr. Sílvio Gallo
Pesquisador de ensino de
Filosofia no Brasil.
     
      Na corrida pela conquista do "gosto" dos professores temos alguns livros sobre os quais vamos falar brevemente em seguida. Muitos são os mesmos de sempre, que de edição em edição mudam muito pouco. Quem sabe devido à indústria de materiais didáticos movimentar milhões do dinheiro público. Se o livro quase não muda, para quê reimprimir milhares de exemplares, enquanto milhares são abandonados nos fundos das bibliotecas? Não temos uma resposta para isso no momento.
      Um dos livros mais famosos é o Filosofando de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins ("As Marias"). Tem grandes qualidades por trazer um conteúdo vasto, sendo bastante conteudista e historiográfico. Não é fácil criticá-lo, pois é defendido com "unhas e dentes" por muitos professores "das antigas", os "professores de guerra" que não admitem deixar de fora o Kierkegaad ou o George Kneller. Para eles, "deixar de fora" é uma heresia. No entanto, como um outro livro chamado Convite à Filosofia de Marilena Chauí (que não está no PNLD deste ano, mas sim Introdução à Filosofia), nasceu pronto e parte de uma concepção de filosofia baseada muito mais no conteúdo em si, aquilo que os filósofos disseram sobre os problemas de suas épocas, do que a partir de um problema fundamental, que deve espantar os estudantes no presente. Falta essa referência no início de cada capítulo para que o professor possa começar o mesmo com um problema e possa provocar o "senso comum" dos alunos, ou seja, aquilo que os alunos pensam já saber e usam corriqueiramente para responder seus problemas.

       
       Outro livro é sobretudo uma surpresa, pois chegou somente agora e não traz anos de tradição como os mencionados anteriormente. Trata-se do Filosofia: temas e percursos, organizado pelo Professor da UFPR, Vinicius de Figueiredo. É um livro que propõe uma organização diferenciada, estruturalmente temática, mas cada capítulo começa expondo um problema inicial, bastante próximo do ser humano em geral. Ainda é preciso estudá-lo para entender melhor sua proposta. Mas é uma opção a ser considerada e que pode melhorar muito com a crítica, pois é uma dificuldade enorme para os professores universitários escreverem com uma linguagem acessível aos alunos. A parte gráfica também, em primeiro momento nota-se que é bastante formal e não atrai os olhares dos estudantes. Mas é uma questão que pode ser revista em próximas edições.
       Diria um sábio (desconhecido) que "o bom trabalhador demonstra que é bom independentemente da ferramenta que utiliza". Apesar disso, sabe-se que por meio de um material adequado as aulas são muito mais significativas para os estudantes. Por isso, mais do que seguir os doutores e doutoras acadêmicos mencionados, é preciso analisar com cuidado se o material é um facilitador do processo pedagógico ou causa mais dificuldades! 


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