1 de março de 2017

A moral de Moraes

Roberto Teco Junior
Professor de Filosofia do ensino médio no Estado de São Paulo


     
Como é de conhecimento de todos, foi escolhido pelo golpista em exercício, Michel Temer, o novo, que é velho no tocante ao famoso jeitinho brasileiro, representante da Suprema Corte Brasileira, o então ministro licenciado da justiça Alexandre de Moraes. Com efeito, parece estar o atual poder judiciário comprado pelo grande capital, bem como Alexandre de Moraes representa os interesses deste segmento da sociedade juntamente com outro ministro, o polêmico e político Gilmar Mendes. É lamentável o que ocorre no Brasil em pleno século XXI, mas isto reflete uma geopolítica frágil e perturbada pelos donos do poder. Entretanto, pensamos ser prioridade e necessário um homem ou mulher no supremo, cuja índole seja ilibada, isto é, isenta de manchas, não afirmamos ser os mortais pessoas totalmente “puras”. Defender esta premissa seria atestado de insanidade, contudo, Moraes nos parece uma carta necessária para um governo ilegítimo, imoral e corrupto.
       A nomeação de Moraes atende, como escrevemos, os interesses de determinados segmentos da sociedade brasileira. Infelizmente muitas pessoas estão caladas e aceitam todos os desmandos do governo golpista por ser este “defensor da moral e dos velhos, nem sempre bons costumes”. Com a morte do ministro Teori Zavascki e a indicação de Moraes, o governo do "conde Drácula" vislumbra a possibilidade de ver engavetada as denúncias e os processos envolvendo membros do alto escalão do governo Michel golpista Temer. Até que ponto é moral indicar alguém com possível envolvimento em esquema de propina como atesta matéria do blog 247, datado de onze de fevereiro de 2017, bem como artigo da revista Carta Capital, datado de treze de fevereiro de 2017. Em que se relata procedimento relapso por parte de Moraes quanto à interpretação de nossa carta magna, além de posicionamento político partidário? Pode ocorrer o seguinte questionamento: a então presidente Dilma e o ex-presidente Lula também indicaram juristas para a suprema corte, como foi o caso de Dias Toffoli, Edson Fachin entre outros. Todavia, em nenhum momento, durante o processo do mensalão e mais recentemente durante operação lava jato, não se constatou por parte dos governos Dilma e Lula interferência quanto ao procedimento deste ou daquele magistrado, tanto Lula quanto Dilma proporcionaram às autoridades livre curso, assim como o zelo pela constituição de 1988. Com efeito, a indicação de Alexandre de Moraes, aumenta ainda mais o descrédito no governo golpista, e desqualifica o caráter imparcial do judiciário brasileiro frente à sociedade. Não obstante, ao que parece, nossos políticos não estão preocupados com a reputação do legislativo, executivo e tão pouco do judiciário. Se estivessem, Michel Temer tomaria medidas enérgicas, o que não está ocorrendo. Entretanto, como o governo atualmente possui um apoio por parte da opinião pública, salvo engano na casa dos 10%, apadrinhar a máquina pública, garantir foro privilegiado a este ou aquele ministro, como é o caso de Moreira Franco, além da compra de partidos políticos em troca de cargos, como foi o caso do atual ministro da saúde Ricardo Barros, que a princípio nada entende de saúde, pois nem formado na área é. Ricardo Barros é engenheiro, além de ser investigado por corrupção, peculato e outros crimes como atesta o site rede Brasil atual do dia 17/05/2016, mas Michel Golpista Temer achou por bem presenteá-lo com a pasta da saúde, pois desta forma tem garantido o apoio de 88% da base governista conforme declaração feita por Eliseu Padilha chefe da casa civil do governo Temer ao blog 247 publicado em quatorze de fevereiro de 2017. Em suma, parece ter o ser humano, principalmente os políticos e parcela do judiciário, esquecido o significado etimológico da palavra moral: Moral vem do latim Morales, cujo significado nos remete a costumes. Ironicamente, o Brasil tem em suas veias, recordando Maquiavel, (embora não tenha ele, segundo historiadores, proferido tais palavras) o costume de que os fins justificam os meios.
       Não importa a técnica, mas a conta do partido político, nem a necessidade da população, mas única e exclusivamente a manipulação da informação e o controle da máquina pública, ou seja, os políticos brasileiros têm um jeito peculiar de fazer política, isto é, politicagem e o fazem com o aval da ala fascista e burguesa presente no palácio do urubu. E a moral? Esta posta na gaveta, tal como a ética, para ser utilizada quando bem convier aos usurpadores do povo. Com efeito, quanto à moral de Moraes não há o que dissertar posto ser esta algo intransferível e pessoal. Contudo, na medida em que a corte acolhe alguém, cuja honra não possa ser passada pelo fogo da aprovação, sem que respingue no povo o sangue de inocentes, a casa em questão poderá gradativamente perder ainda mais perante o povo aquilo que os antigos diziam com orgulho: O brio. Em consonância com o professor e jurista Luiz Flávio Gomes, será que Moraes terá condição moral para suportar o peso da toga, para relatar com imparcialidade o processo da lava jato, sem que o povo se revolte contra a corte? Ademais, cabe à população exercer a cidadania, se o desejo for um Brasil livre de ratos e de enorme carnificina. Que venham os próximos capítulos.


Referências
http://www.cartacapital.com.br/…/peticao-contra-alexandre-d…
http://www.brasil247.com/…/PGR-pode-pedir-inqu%C3%A9rito-co…
http://www.redebrasilatual.com.br/…/ministro-da-saude-de-te…
https://www.facebook.com/luizflaviogomesoficial/?pnref=story
http://www.brasil247.com/…/Padilha-admite-troca-de-minist%C…

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