6 de dezembro de 2017

VENDETTA


Resultado de imagem para v de vingança


 Resultado de imagem para v de vingança 

Por: José Geraldo
Graduando em Filosofia pela UFPR
Bolsista PIBID-Filosofia pela UFPR


     Nas manifestações de 2013 milhares de brasileiros foram às ruas com a máscara do personagem "V" da HQ "V for Vendetta" (Alan Moore/David Lloyd) e do filme homônimo dirigido por James McTeigue. A máscara de V, como se sabe, foi inspirada num personagem histórico real, Guy Fawkes, um católico radical que pretendia explodir o parlamento inglês na noite do dia 5 de novembro de 1605, mas foi capturado, torturado e morto em 1606.
     O que não se sabe é se, na época das "manifestações", algum brasileiro mascarado perguntou-se sobre o sentido do uso da máscara de Guy Fawkes em relação ao contexto econômico e político brasileiro. Levanto essa questão apenas agora porque só recentemente li a HQ e vi o filme, e me pareceu que o uso da máscara naquele contexto não se encaixa com o contexto histórico e político a partir do qual Alan Moore pensou "V de Vingança" nem com a sua tradução no universo dos quadrinhos (tradução com altas doses de imaginação que, muito embora, não totalmente fiel à realidade, não a trai ...).
     Brasileiros não entenderam V de Vingança? Brasileiros interpretaram propositalmente mal a realidade? Brasileiros entenderam V de Vingança e interpretaram propositalmente mal a realidade? Brasileiros interpretaram bem a realidade e mal V de Vingança? Brasileiros interpretaram bem a realidade e propositalmente mal V de Vingança para criarem uma má interpretação da realidade?
     Ou ainda, brasileiros não interpretaram nada e simplesmente compraram a máscara de uma obscura interpretação pré-fabricada que interpretava propositalmente mal V de Vingança e mal a realidade brasileira? É esta a nossa hipótese.
Vejamos brevemente o contexto de produção da HQ.
     Em outubro de 1983, Moore escreve na edição 17 da revista "Warrior": "Partindo da suposição que os conservadores perderiam as eleições, comecei a elaborar um futuro em que o Partido Trabalhista houvesse chegado ao poder e removido todos os mísseis do solo britânico, impedindo, assim, que, a Grã-Bretanha se tornasse um alvo importante no caso de uma guerra nuclear. Com perturbadora facilidade, bolei o curso dos acontecimentos a partir desse ponto ATÉ A TOMADA DE PODER POR FASCISTAS NA GRÃ-BRETANHA".
     Com o fim da revista "Warrior" a publicação da HQ só aconteceu em 1988. A suposta derrota dos conservadores em 1982 também não se concretizou, mas, de qualquer maneira, a sanha pelo poder continuaria a mesma. Na introdução de "V for Vendetta" escreve Moore. "Estamos em 1988 agora. Margaret Thatcher está entrando em seu terceiro mandato e fala confiante numa liderança ininterrupta dos Conservadores no próximo século. (...) um jornal tabloide acalenta a ideia de campos de concentração para pessoas com AIDS. Os soldados da tropa de choque usam visores negros, bem como seus cavalos; e suas unidades móveis têm câmeras de vídeo rotativas instaladas no teto. O governo expressou o desejo de erradicar a homossexualidade até mesmo como conceito abstrato. Só posso especular sobre qual minoria será alvo dos próximos ataques. Estou pensando em deixar o país com minha família em breve. ESTA TERRA ESTA CADA VEZ MAIS FRIA E HOSTIL, E EU NÃO GOSTO MAIS DAQUI!
     A leitura dos textos de 83 e de 88 não deixa a menor dúvida que Alan Moore concebeu "V de Vingança" como uma crítica à mão de ferro dos conservadores. O que lemos na HQ também não deixa dúvida quanto a isto.
     Nos quadrinhos, "V de Vingança" se passa numa Inglaterra ficcional dos anos 90. O país está sendo governado por fascistas que chegaram ao poder em 1992. Lemos em um quadrinho que estes grupos reacionários são "uma coalização de grupos fascistas. Eles tinham se unido às grandes corporações que sobraram". A ascensão dos fascistas, em conluio com o Kapital, se deu como o desfecho retrógrado de um período de caos social decorrente de uma guerra atômica que destruiu parte do mundo no final dos anos 80. Neste "inverno atômico", os países que não haviam sido destruídos, como a Inglaterra, sofriam terríveis consequências climáticas e sociais. Mais tarde, Moore, comentando a HQ, dirá que foi ingênuo quando achou que "seria necessário algo tão dramático quanto um conflito nuclear para lançar a Inglaterra no fascismo". O fascismo não precisava de tanto para se expressar....
     Não apenas nos quadrinhos, mas também no filme de 2005 a luta de V é contra os fascistas. V, seja nos quadrinhos seja no cinema, claramente não é um trabalhista (antes que alguém nos acuse que estamos escrevendo esse texto para os trabalhistas): é, talvez, um anarquista. De qualquer modo, fascista ele não é.
     No Brasil, ocorreu algo que chama bastante a atenção. O uso da máscara de Guy Fawkes foi um dos dispositivos utilizados nas manifestações de 2013, especialmente a partir do momento em que grupos de direita reenquadraram violentamente a pauta original do movimento (não adentraremos à eterna discussão se 2013 foi desde o princípio um movimento reacionário). Deixemos assim: a captura da pauta da esquerda (crítica ao PT) pela direita (crítica ao PT e a toda esquerda ...) pavimentou o caminho para o fortalecimento (para mais fortalecimento) e para a hegemonia dos grupos conservadores que hoje em conjunto aprovam, sem vaselina, uma atrás da outra, reformas retrógradas contra os trabalhadores e cagam regras morais em todas as situações que abrem a boca. Síntese: toda a esquerda se ferrou e continua se ferrando, e com ela milhões de brasileiros cujo único bem é a força de trabalho.
     De qualquer maneira, e isso é o que importa em nossa análise, no presente momento, às beiras de 2018, mais do que nunca - se tomarmos, evidentemente, a leitura da conjuntura da Grã-Bretanha nos anos 80 pelos criadores de V de Vingança e o próprio enredo da HQ e do filme, e, principalmente, o presente no Brasil - é que o uso da máscara de Fawkes faria total sentido (Ou alguém em sã consciência achava que vivíamos em uma ditadura ou algo do gênero no Brasil? E hoje não mais...!? Ah sei ...). Se o governo petista tinha problemas (e poderia avançar ainda mais em pautas sociais, urbanas e tributárias ("imposto progressivo", "taxação de grandes fortunas" ) certamente o de ser um governo totalitário não estava, ou não deveria estar, em nenhuma lista ou cartaz de reinvindicação. Claro, poderão dizer, "os negros, os índios..." Mas, e hoje, por que nossos "scholars" - de seus confortáveis ‘apês’ - entre um gole e outro de suas cervejas artesanais - que diziam "os negros, os índios" não dizem mais? Preocupação tática é uma merda mesmo, fede, ajuda a vender alguns livros escritos "no calor do acontecimento", rende milhares de likes e corações, convites para palestras (não raro esvaziadas, mas que nas redes aparecem como eventos 'hype'); logo estes cinco minutos de fama (ou seriam cinco segundos?) são soterrados por algum ‘meme’ de bichinho ou do Zizek.
     Não sei se todas estas impressões correspondem integralmente à realidade, talvez apenas algumas de suas partes, e uma destas partes é: o uso da máscara de V. no Brasil como um símbolo de uma ideia revolucionária sem rosto, de uma ideia de justiça (que Platão procura há mais de 2 mil anos) PODE ter mascarado interesses obscuros que não tinham muita relação com o que pretendia o personagem de Alan Moore: justiça, liberdade, igualdade.
     Este oculto pela máscara nos conduz a pergunta: onde estão os "Anonymous" e suas máscaras de Guy Fawkes hoje? A resposta é importante e deve ser bem clara para que não suspeitemos que, no caso brasileiro, por trás da máscara de V não estava um anarquista, mas sim Temer, ou Aécio, a Rede Globo, ou Soros, ou ...
     É, bem provável, que tal resposta não virá; ou se vier virá com as manobras retóricas já conhecidas e a culpa será sempre do (complete). Como não se trata de encontrar culpados, mas de compreender o sentido ou a ausência de sentido dado por milhares de pessoas a uma peça de ficção que, ao que parece, de maneira enviesada adentrou o real, produzindo efeitos visíveis no campo político, lancemos, enquanto isso, nós mesmos uma especulação.
     A resposta para a pergunta sobre o paradeiro dos V. dos trópicos, talvez, não esteja objetivamente em ‘Junho de 2013’ nem na Paulista em 2015, mas - em tendência - no dia 14 de janeiro de 1990 quando David Lloyd, em sua introdução à V de Vingança, escreveu: "depois do Noticiário das Nove, viria Os Meninos do Brasil, um filme com poucos personagens alegres e descontraídos, que trata de um bando de nazistas criando 94 clones de Adolf Hitler". Lloyd viu na TV o Brasil do século XXI? Quem sabe.
     O que Lloyd e Moore não poderiam imaginar é que o V da vingança brasileira seria o oposto simétrico e reacionário da vingança criadora de V. O V da vingança brasileira, portanto, não corresponde ao que se passa nos quadrinhos, mas - e isso é o mais misterioso - a imagem que Lloyd antevê no prefácio da HQ corresponde à vingança brasileira. Lloyd conta que um programa terrível com nazistas brasileiros ("Os Meninos do Brasil") começaria após o Noticiário das Nove. Os Meninos do Brasil que Lloyd nos fala em 1990 seria a prefiguração do MBL? Talvez, talvez.
     Recentemente, um pesquisador mostrou com dados minerados nas redes sociaos que a primeira aparição do MBL se deu exatamente em 2013. Depois disso, o movimento teria entrado em latência e reaparecido com grande força na ocasião do Impeachment de Dilma. O MBL aparece, portanto, no mesmo contexto de surgimento dos anonymous e da utilização da máscara de Guy Fawkes.
     Teria sido a vingança brasileira a vingança de setores da classe-média brasileira que passou a flertar (sem saber?) com o nazi-fascismo? Se disséssemos que sim cairíamos, muito rápido, na dinâmica dos ressentidos em busca de culpados imediatos cuja condenação superficial ocultaria o acesso ao profundo movimento das placas tectônicas da política mundial que, articulada a um determinado uso das tecnologias, pode explicar a derrocada política, social, econômica, ética e estética no Brasil.
     Nossa, neófita é verdade, investigação conduziu-nos a um questionamento bem mais terrível (para nós) e, talvez, risível para tantos outros que negam o espetáculo justamente por serem seus figurantes. V em sua versão brasileira seria parte de uma tenebrosa e oculta reação nazifascista em aliança com o capital financeiro (cheiro de neoreaction no ar) que, por meio da captura da energia física, psíquica, organizacional e colaborativa de amplos setores da pequena burguesia brasileira, objetiva enfraquecer a capacidade organizativa dos pobres e das minorias para escravizá-los/aniquilá-los e, mais tarde, aniquilar a própria pequena burguesia utilizada taticamente como "correia de transmissão" para a realização de uma macabra estratégia?
     Como também não podemos responder com um sim categórico esta questão, podemos, como Burroughs em ‘Expresso Nova’, recolher indícios que, no conjunto, revelam a informação: fomos tragados para o interior de uma nova fase do capitalismo. Esta fase nazifascista do capital é marcada pela exploração absoluta da força de trabalho, pela desregulamentação extrema da economia, pela destruição progressiva dos serviços públicos, pela perseguição à artistas e filósofos (recentemente tivemos o caso Butler), pelo controle e pela repressão dos corpos e de suas ideias éticas e políticas verdadeiramente revolucionárias; estágio que, se quisermos, podemos chamar de "A Vingança do Capitalismo" (A.V.C).
     Não se trata mais, como em Weber, de uma ética protestante a dar sentido ao espírito do capitalismo, mas de uma ética nazifascista que extrai até o esgotamento, incessantemente, todo sentido da vida, da vida das minorias e do próprio planeta.
     É neste estágio que compreendemos a UTILIZAÇÃO AVARIADA e tática de livros, HQs, filmes, jogos, séries e redes sociais, como dispositivos de controle e modulação da vida. Não se trata aqui de uma condenação brutal da tecnologia ou mesmo dos produtos da indústria cultural (Benjamin já mostrou suficientemente o potencial político do kynema), mas da avaliação de um determinada utilização deles cujo resultado é o enfraquecimento do homem e de sua capacidade de criação. Há uma tênue fronteira entre a estetização da política e a politização da estética.
     Na aurora do século XXI, a vida - enredada no espaço estriado desenvolvido pelo Kapytal Nazi Fascista - é modulada ilimitadamente enquanto executa modulações limitadas, por exemplo, no buraco negro azul do fakebook, como já tivemos oportunidade de dizer em outra ocasião. A sensação de liberdade é preservada. A decisão de ir ou não a uma manifestação, por exemplo, é de cada um, mas receber a informação para esta decisão não está no controle de todos que decidem ou não se manifestar. Em 2013, por exemplo, milhões foram às ruas com o maior índice já registrado no Brasil de pessoas empregadas com carteira assinada. Em 2017, com mais de 13 milhões de desempregados, as pessoas protestam, ou silenciam, nas mesmas redes sociais que naquele momento vibravam conjuntamente às ruas; hoje o passo decisivo para as ruas não acontece. Há um abismo entre as redes sociais e as ruas. Há poucos anos havia uma larga ponte de ida e volta. Podemos supor que essa distância está sendo programada, não?
Recentemente, um bombeiro, com a cara e a coragem, tentou conduzir um caminhão na direção do Congresso Nacional. Foi interceptado e será julgado, assim como Guy Fawkes foi julgado, como terrorista. O bombeiro brasileiro certamente entende o que está acontecendo e - sem máscara de Guy Fawkes - agiu, de fato, como Guy Fawkes contra o parlamento opressor.
     É perfeitamente possível que a enunciação de palavras "fora, contra, manifestação, protesto, ruas, revolução" (etc) esteja sendo controlada nas redes por logaritmos para não haver risco de ‘enxameamento’, ou melhor, quase personagens de Black Mirror, estamos alojados em bolhas no interior das quais podemos atacar violentamente o governo federal, o presidente, os candidatos à presidência, os deputados e senadores, o stf, o mpf, o exército e a pm, podemos convocar manifestações, podemos até ____________ e nada ocorrerá, pois a informação não romperá a bolha de transmissão e se romper não repercutirá por muito tempo sendo rapidamente esquecida dada a sucessão ininterrupta de sons, imagens, textos, citações, fotos, notícias sempre urgentes, polêmicas, textões, anúncios, links, piadas, memes, comentários, denúncias, linchamentos virtuais, etc.
     Uma informação com o esclarecimento de uma decisão política nefasta às nossas vidas vale o mesmo que aquelas orações que sua tia lhe manda. Produza e reproduza uma informação, não importa qual, essa é a nova ordem. Esse texto não escapa dessa lógica e não vale mais do que uma imagem idiota do "marxist memes". "Nossos logaritmos decidirão se a sua produção diária circulará para além da bolha".
     Cada vez mais decidimos menos do pouco que um dia realmente decidimos. Em 2018, dizem, já não decidiremos, nem de brincadeira, quem será o futuro presidente na democracia de plástico brasileira, nenhuma de nossas demonstrações sócio-midiáticas de revolta fizeram recuar o poder político_financeiro_judiciário_midiático da decisão de aprovar a proposta que limita por 20 anos os investimentos públicos em saúde e educação. Também não fomos ouvidos quando da aprovação da reforma trabalhista que institucionaliza a precarização do trabalho, nem o ecos da “Primavera estudantil” de 2016 fizeram efeitos em fevereiro de 2017 quando foi aprovada a reforma do ensino médio (que, dentre outras violências, retira as disciplinas de filosofia e sociologia do currículo tornando-as simples conteúdos esparsos, além de distanciar a classe trabalhadora da universidade com seus obscuros itinerários formativos cujo foco é a formação técnica para o trabalho [trabalho que não haverá dada a robotização de postos de trabalho]), não apitamos em nada acerca do desmonte descarado da Petrobrás e de outras estatais, que assistimos como espectadores de uma blockbuster barato, e não conseguiremos frear a reforma da previdência que já está no gatilho para que todos trabalhemos mais do que já trabalhamos. Assistimos ainda, invariavelmente culpando sempre um outro que teria causado toda essa merda, visando assim o conforto da velha consciência burguesa, a volta do país ao mapa da fome, o crescimento vertiginoso da violência nas cidades e no campo, ataques em série à universidade pública e gratuita, ataques a artistas e a exposições, etc.
     “O trabalho liberta”, a frase escrita na entrada dos campos de concentração nazistas brilha escrita em neon num ambiente ‘vaporwave’. A diferença é que agora o Planeta Terra tende a ser um campo de concentração. Campo Capitalista de Concentração.
     Teriam nossos 'V' lutado pela própria servidão quando acreditavam lutar pela liberdade?




17 de outubro de 2017

O crescimento do conservadorismo

Por: Andrej Carraro
Licenciado em História, professor e 
colunista deste site. 

Venho sendo derrotado pelo discurso simplista, ignorante e agarrado ao senso comum, mesmo quando apresento argumentos fundamentados, de nada adianta. Não consigo fazer com que o oponente se mova um centímetro para fora de seu orgulho próprio, admitindo estar errado ou, sob algum aspecto, concordando com meus argumentos.
Quando perdi, saí abatido pela rigidez da mentalidade do oponente. Me fez por um breve momento desistir de tudo, mas foi aí que entendi o significado de “a nossa luta é diária”. Isso me fez refletir sobre os meus métodos, minhas abordagens e minha arrogância, daquele que achava que poderia, pelo fato de ter um diploma de História na parede da sala, estar acima do conhecimento alheio. Falhei em outro aspecto.
Porém, o que me vem à mente neste momento, é buscar entender como essa mentalidade que despreza a fundamentação teórica, adquirida em anos de estudos e que denominamos ou reduzimos ao termo fascista, vem crescendo no nosso país (e no mundo).
Na área da educação, que sabidamente não vai bem, falta muito a se fazer justamente para formar cidadãos contestadores e críticos. Dessa forma, a formação da nossa sociedade enquanto cidadão pensante é rasa e insuficiente, colaborando indiretamente com o discurso simples e condenatório da mídia, da imprensa brasileira que não está interessada em informar o cidadão, mas formar, lapidar seu pensamento e apontar a quem deve-se fazer linchamentos morais (e até físicos). A nossa imprensa se interessa puramente no que as empresas anunciantes lhe ordenam, tendo no Estado também uma de suas maiores fontes de financiamento (G1 - Governo abre mão de 10 Bilhões).
Soluções rápidas e fáceis como num filme de ficção.
A soma de todos esses problemas, abre a porta para essa onda conservadora crescer e ter voz nas mídias e nas redes sociais (Brasil247). Pois é no momento oportuno como esse, de descontentamento pela política, pelos políticos, e a busca por um salvador que surgem figuras como Feliciano, Bolsonaro, Nando Moura, Kim Kataguiri e Alexandre Frota, disfarçados de moralistas, "cristãos" devotos, "doutores" da educação e "heróis" que solucionarão os problemas do Brasil.
É sabido que no Brasil, sofremos um duro golpe político (Delação de Temer e Cunha) que culminou com a saída da presidente petista Dilma Roussef, e os “novos” comandantes desse gigantesco país golpeiam diariamente os trabalhadores. Mesmo com seus 3% desaprovação popular, não desistem de permanecer no poder para satisfazer os desejos da elite econômica, oferecendo de bandeja a flexibilização das leis trabalhistas, a redução da multa na rescisão do contrato com o trabalhador, a terceirização do trabalho, arrocho salarial, etc. 
Dilma foi eleita democraticamente e foi retirada por um golpe. 

O povo brasileiro elegeu para quatro mandados presidenciais, a ideologia política do PT, representada por Lula e Dilma. Isso demonstrou que a maioria da população, constituída de classe média e de pobres via esperança nos projetos políticos de esquerda. Mas, nos últimos três anos, esses quatorze anos de governos petistas foram duramente criticados, muitas vezes de maneira rasa e sem fundamento na realidade política e econômica do país. As verdadeiras falhas do PT enquanto ocupante da cadeira de presidente não foram contestadas como, por exemplo, colocar em discussão a reforma agrária, reforma tributária ou mesmo o CPI da dívida pública. Pelo contrário, foi criticado naquilo que fez de mais correto, que são os programas como Bolsa Família, o melhoramento do Sistema Único de Saúde (SUS), FIES, Prouni, Ciência sem Fronteiras, etc. 
As duras criticas ao governo petista, desde as primeiras manifestações verde-amarelo de 2015, eram promovidas pela classe média, mais privilegiada e mais preconceituosa em relação à classe baixa, mas reclamando da falta de “direitos”.  Não bastasse, somado a isso tivemos a irresponsabilidade da imprensa em apontar o dedo da corrupção apenas contra o governo petista e omitindo propositalmente a de outros partidos políticos. Criou-se, então, a ilusão de que partidos de esquerdas são os mais corruptos e corrupção e esquerda fusionaram-se na mentalidade simplória dessas pessoas, que já criticavam a esquerda antes da crise.
O discurso de ódio crescente no Brasil, fez com que Stalin e Hitler fossem vistos por essas pessoas como a mesma coisa, o nazismo virou de esquerda e Chê Guevara tornou-se um dos maiores assassinos da história. Paralelamente a isso, a esquerda também cresceu? Poderia dizer que sim, mas não tenho convicção disso (e nem provas). Entretanto, tenho a convicção de que a luta por direitos vem crescendo: direitos dos LGBTISTAS de poder viver em paz, das mulheres feministas contra o machismo menos evidente, dos afro-brasileiros por respeito, dos trabalhadores do transporte público, das ONGs de proteção aos animais, etc. Isso tudo vem crescendo e ocupando o espaço na internet, sendo difundida as ideias que condenam o pensamento arcaico e a injustiça.

Talvez não saibam, os mais conservadores, que artistas não são necessariamente esquerdistas (ou esquerdopatas, como debochadamente costumam dizer). Ser negro, mulher ou homossexual lutando por seus direitos não é ser comunista. Ao mesmo tempo que crescem os radicais (sementes fascistas) que parecem defendem a legitimidade do discurso racista, misógeno e homofóbico, se fortalecem cada vez mais os verdadeiros movimentos sociais de luta em defesa dos direitos das minorias. 

12 de outubro de 2017

Será a arte que deveria estar no centro dos debates?

 Por: Andrej Carraro
Licenciado em História pela Universidade Tuiuti do Paraná – Curitiba-PR.

imagem do site Terra
A definição errônea por uma massa de desinformados no Brasil atual e sua máscara da moralidade desmanchando-se mesmo que sem a percepção do mascarado, colabora hoje com o debate sobre a arte, compondo com a arte da hipocrisia de uma sociedade que vive em plena crise de seus representantes políticos. Na cidade de São Paulo, foi eleito no ano de 2016 o candidato PSDBista João Dória, vencendo em primeiro turno o PTista Fernando Haddad. Dória quando assumiu a prefeitura com seu programa “Cidade Linda”, ordenou a retirada de grafites, definidas (não por ele, claro, mas por artistas) como arte urbana – muitas muito belas por sinal – e pintando todos os muros que ali estavam de cinza, causando um grande debate sobre o que é arte.
Dória posando para fotos
Não é à toa que no momento houve discussão de artistas grafiteiros e pichadores que aproveitaram para entrar no debate. Com uma enorme – e assustadora – aprovação dos cidadãos da maior cidade do país, João Dória venceu a “guerra” contra o grafite e ainda, como se não bastasse, ordenou por lei que lhe podia reivindicar constitucionalmente que prendessem todos os pichadores que fossem pegos no flagra pichando os muros da cidade.
Não quero entrar na discussão sobre essa atitude ditatorial e higienista do prefeito, por tanto, fazer uma reflexão sobre a cultura da elite que vem se impondo em São Paulo. Me obrigo a fazer um recuo à Marx em seu Manuscrito Econômico-Filosóficos quando trata sobre dinheiro e sua capacidade de inversão dos valores por pura e simplesmente força de sua efetividade.
De fato, a força do dinheiro de um ser possuidor de poderes se impõe e inverte os valores, até mesmo da lógica do que seja arte para inserir no senso comum da população que aplaude seu prefeito. Para Dória e seus apoiadores, o grafite e a pichação são “sujeiras” (mesmo que alguns até tolerem o grafite), e logo a solução dos problemas viria a “ser revelada”: surge a implantação de “corredores verdes”. Essa foi a ideia que venceu a arte urbana de São Paulo. Mas, porque pintar, se a ideia era colocar essas plantas nos muros? Estava isso nos planos desde o seu início?
A discussão acalorada sobre o que é arte nos últimos dias, faz voltar à tona o que estranha e espantosamente causa ódio e a ignorância. A exposição Queermuseu realizada em Porto Alegre com apoio do grupo Santander Cultural foi duramente criticada pelo grupo MBL e seus apoiadores e posteriormente a atuação artística de um artista nu no Museu da América Latina, onde uma criança vem a tocar e sua perna causaram grande alvoroço e trouxe à tona a hipocrisia desses grupos moralistas.
Houve petição pública para o fechamento de todo o museu por apenas essa atuação do artista nu e a exposição Queermuseu foi cancelada bem antes do prazo de seu término. A tentativa de desviar a atenção da população e colocar no centro dos debates - o que poucos têm a competência de opinar sobre arte-, denuncia o papel cínico de grupos como MBL, que são criticados por diversos seguimentos da sociedade como um órgão financiado pelo governo golpista de Temer.
Mas voltando a hipocrisia gritante que emerge, vamos fazer algumas perguntas aos indignados da ocasião: deveríamos fechar um museu inteiro por causa de indignação? Com que frequência participa ou assiste a alguma exposição artística? E na sua cidade, está por dentro dos eventos culturais? Quanto você os apoia? Participa de alguma ONG ou faz alguma doação à algum orfanato? Está ciente que pedofilia é causada também por representantes de Igrejas e pelos próprios pais das crianças? Essas são perguntas fundamentais de todo indignado deveria se fazer, embora não se possa esperar que as respostas a elas sejam honestas.

O corpo nu de um artista, um ser humano, tem causado grande constrangimento para algumas pessoas, que o definiram como “pedófilo”. Será a arte derrotada mais uma vez pela ignorância? Isso me faz refletir que, se na sua maneira de pensar e agir sobre casos como esse, denuncia seu horror ao expor uma criança à um corpo nu, como as crianças estão sendo educadas nessas questões pelos seus pais? Se tornar não natural aquilo que é natural faz parte de sua educação estamos no caminho certo? Ou deveríamos continuar a utilizar o conceito de “papai plantou uma sementinha na barriga da mamãe”, para não dizer pior: “uma cegonha trouxe você para mamãe e papai”
Essas pessoas que, desde cedo foram impedidas de ter acesso à certos conhecimentos,  desde sua primeira pergunta sobre o mundo, estão cientes da ameaça dos verdadeiros pedófilos escondidos atrás do altar das Igrejas ou mesmo dentro de casa? Tornar natural e falar sobre o assunto é uma obrigação de seus responsáveis. Não será nada agradável uma criança aprender sobre sexualidade e sexo com um pedófilo. Tratar desse assunto na sua seriedade e no momento certo, que é no momento que a criança questiona a respeito deveria ser normal, comum e não deveria causar horror uma exposição de um artista nu para aos que quiserem ver, pois sua naturalidade e subjetividade artística seria compreendida desde seu princípio e, ao menos, o conceito de pedofilia estaria muito bem definida de maneira tão negativa por nossa sociedade hipócrita. Será a arte que deveria estar no centro dos debates?

6 de agosto de 2017

Livros de Filosofia para 2018

Por: Jonas J. Berra      

      Como o prof. Everton já escreveu anteriormente em nossa página, neste ano temos escolha de livro didático para o Ensino Médio. Para isso, as escolas recebem exemplares de livros das diversas disciplinas e das diversas editoras. 
       No caso da Filosofia e Sociologia, temos a peculiaridade de não termos uma tradição no Brasil tão longa quanto Biologia e Português, por exemplo. Essas disciplinas e as demais já estão com seus conteúdos bem estabelecidos, com uma sequência didática mais solidificada. Por isso, é bastante difícil tomar a decisão sobre qual livro atenderá melhor a realidade de cada escola quando o assunto é a Filosofia e a Sociologia. 

     Foi mencionado pelo prof. Everton que uma opção interessante é o Filosofia: experiência do pensamento de Sílvio Gallo. De fato, se consideramos que a filosofia é uma atividade do pensamento que começa com a tentativa de solucionar problemas que nos espantam, realmente o livro é muito bom. Além disso, quando se "pega em mãos" o currículo de Sílvio Gallo percebe-se que a qualidade do material não é um acaso. Ele trabalha há bastante tempo com o ensino de Filosofia. 
       Com tanta bagagem fica até difícil criticar um trabalho amadurecido como é o dele. Um exemplo disso é a obra Ética e cidadania, escrita por um grupo de estudos sobre o ensino de Filosofia. Percebe-se que existe uma base epistemológica bastante sólida na obra e um caminho que vem sendo percorrido à bastante tempo.
Prof. Dr. Sílvio Gallo
Pesquisador de ensino de
Filosofia no Brasil.
     
      Na corrida pela conquista do "gosto" dos professores temos alguns livros sobre os quais vamos falar brevemente em seguida. Muitos são os mesmos de sempre, que de edição em edição mudam muito pouco. Quem sabe devido à indústria de materiais didáticos movimentar milhões do dinheiro público. Se o livro quase não muda, para quê reimprimir milhares de exemplares, enquanto milhares são abandonados nos fundos das bibliotecas? Não temos uma resposta para isso no momento.
      Um dos livros mais famosos é o Filosofando de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins ("As Marias"). Tem grandes qualidades por trazer um conteúdo vasto, sendo bastante conteudista e historiográfico. Não é fácil criticá-lo, pois é defendido com "unhas e dentes" por muitos professores "das antigas", os "professores de guerra" que não admitem deixar de fora o Kierkegaad ou o George Kneller. Para eles, "deixar de fora" é uma heresia. No entanto, como um outro livro chamado Convite à Filosofia de Marilena Chauí (que não está no PNLD deste ano, mas sim Introdução à Filosofia), nasceu pronto e parte de uma concepção de filosofia baseada muito mais no conteúdo em si, aquilo que os filósofos disseram sobre os problemas de suas épocas, do que a partir de um problema fundamental, que deve espantar os estudantes no presente. Falta essa referência no início de cada capítulo para que o professor possa começar o mesmo com um problema e possa provocar o "senso comum" dos alunos, ou seja, aquilo que os alunos pensam já saber e usam corriqueiramente para responder seus problemas.

       
       Outro livro é sobretudo uma surpresa, pois chegou somente agora e não traz anos de tradição como os mencionados anteriormente. Trata-se do Filosofia: temas e percursos, organizado pelo Professor da UFPR, Vinicius de Figueiredo. É um livro que propõe uma organização diferenciada, estruturalmente temática, mas cada capítulo começa expondo um problema inicial, bastante próximo do ser humano em geral. Ainda é preciso estudá-lo para entender melhor sua proposta. Mas é uma opção a ser considerada e que pode melhorar muito com a crítica, pois é uma dificuldade enorme para os professores universitários escreverem com uma linguagem acessível aos alunos. A parte gráfica também, em primeiro momento nota-se que é bastante formal e não atrai os olhares dos estudantes. Mas é uma questão que pode ser revista em próximas edições.
       Diria um sábio (desconhecido) que "o bom trabalhador demonstra que é bom independentemente da ferramenta que utiliza". Apesar disso, sabe-se que por meio de um material adequado as aulas são muito mais significativas para os estudantes. Por isso, mais do que seguir os doutores e doutoras acadêmicos mencionados, é preciso analisar com cuidado se o material é um facilitador do processo pedagógico ou causa mais dificuldades! 


24 de julho de 2017

Indicação: "Filosofia: experiência do pensar"

      Por: Everton Marcos Grison

       Este ano teremos escolha de livros didáticos para uma série de disciplinas que compõem a grade do ensino médio. Entre elas está a filosofia. Os professores dessa área realizam a terceira escolha de livro didático desde o retorno oficial da filosofia às escolas em 2008. 
     Muitos são os livros disponíveis e muito precisaria ser discutido sobre o edital do governo, que estrutura a organização desses livros. A tendência desse documento tem demonstrado uma uniformização da estrutura dos livros, precarizando a reflexão, o conhecimento, a própria filosofia e os aspectos regionais do país. Entretanto, esse assunto, deve ser trabalho em outro momento com mais critério e aprofundamento. 
      Entre os livros aprovados no PNLD desse ano, o livro Filosofia: experiência do pensar, de Sílvio Gallo, publicado pela editora Scipione, possui peculiaridades que contribuem para o aprofundamento clarificado do ensino de filosofia no ensino médio brasileiro. 
     Gallo é um dos pensadores mais importantes na área do ensino de filosofia no Brasil. Licenciado em Filosofia pela Puc/SP, mestre e doutor em educação pela Unicamp/SP, livre docente em filosofia da educação pela Unicamp/SP e professor titular da Faculdade de Educação da Unicamp/SP, o autor possui uma ampla bibliografia e uma extensa participação nos debates nacionais e internacionais sobre o ensino de filosofia. 
      Seu livro didático está na segunda edição e traz alterações muito importantes em relação à edição anterior. Além das questões visuais, cada unidade foi acrescida da página É lógico. Neste espaço, os conceitos básicos que estruturam a lógica são desenvolvidos de forma didática ao longo de todo o livro. Sendo assim, o aluno não toma contato com o tema da lógica apenas em uma unidade em específico ou em um ano específico de sua formação. As noções de lógica e argumentação estão presentes nos três anos de sua formação média. Ao nosso ver esta é uma decisão extremamente acertada e que diferencia muito o livro em questão das outras obras didáticas de ensino de filosofia. 
     Outro aspecto importante é o trabalho com o texto clássico de filosofia em todas as unidades. Entendemos que o melhor livro didático para o ensino de filosofia seria uma Antologia de Textos filosóficos, mas devido à impossibilidade da disponibilidade, o recorte textual se apresenta como a melhor alternativa. Privar o jovem de hoje do contato com o texto clássico de filosofia é propriamente privá-lo da inserção em um campo cultural muito fortuito e essencial para a sua formação. 
      Um dos pontos mais positivos do livro de Gallo é a preocupação com os exames do Enem e dos Vestibulares em geral. Tal preocupação jamais pode ser a central no ensino, mas não pode ser inexistente. Propiciar ao jovem da escola pública a discussão e o preparo para o tipo de prova que ele enfrentará no final do ciclo médio, auxilia na diminuição das discrepâncias latentes entre o ensino público e o privado no Brasil. 
       Neste aspecto, a edição do livro de 2017 traz uma quantidade significativa de questões do Enem e de vestibulares de instituições universitárias diversas, do âmbito público e privado. Este fator auxilia o professor a contextualizar parcialmente o estudo de determinado conteúdo, no que diz respeito ao preparo voltado para os exames de seleção a ingresso na universidade. 
     Além do que foi ressaltado acima, o livro fornece ao final de cada unidade indicações de livros e filmes como material de apoio e aprofundamento, em edições disponíveis e atualizadas. Desta maneira, entendemos que o livro de Sílvio Gallo, Filosofia: experiência do pensamento (2017), é uma das melhores opções a ser adotada como material didático para o ensino de filosofia nas escolas públicas do Brasil.

28 de março de 2017

XXIX Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão - UFPR 2017

Estão abertas até 2 de abril as inscrições para a apresentação de trabalhos, colóquios, mesas redondas e outras atividades na XXIX Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (SEPE) da UFPR. Um dos eventos mais importantes do Setor de Educação, a SEPE-2017 vai de 29 de maio a 2 de junho e terá como tema Ética e Educação: Ensino, Pesquisa e Extensão. A conferência de abertura será feita pelo professor-doutor Antonio Joaquim Severino (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – FE/USP) no Teatro da Reitoria, às 19h do dia 29. Mais informações sobre a XXIX Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão no portal www.educacao.ufpr.br No encerramento, estarão presentes membros da ANPED que discutem ética na pesquisa em Educação: Jefferson Mainardes (UEPG); Isabel Cristina de Moura Carvalho (PUC/RS); Antonio Rodrigues Amorim (UNICAMP); Carlos Eduardo Ferraço (UFES e diretoria da ANPED); João Batista Carvalho Nunes (UECE). 




19 de março de 2017

Para quê filosofar?

Roberto Teco Junior
Professor de Filosofia no governo do Estado de São Paulo.

        O filósofo Imannuel Kant definiu a filosofia, o processo filosófico como sendo algo contínuo, de forma que “não se aprende filosofia, aprende-se a filosofar”. Com efeito, filosofar é algo indispensável no processo formativo de cada cidadão. O ensino da filosofia deveria contribuir para a emancipação das crianças, jovens e adultos, o que muitas das vezes não acontece. Atualmente, por conta da deforma do ensino médio, (você não entendeu errado), a Filosofia, Sociologia, História e Geografia, passam a ter maior dificuldade no que diz respeito a transmissão do conhecimento. 

8 de março de 2017

Uma proposta para o conceito de Filosofia

Anderson Balbinot
Professor de Filosofia do Estado do Rio Grande do Sul

Honro-me muito com o convite do Jonas, editor deste blog, para preencher este espaço com algumas reflexões. Desde que o conheci, mantive apreço a ele e seu espaço de divulgação da filosofia. Espero contribuir com seus leitores e com o objetivo a que se propôs. Peço vênia para me dirigir sempre em primeira pessoa, pois dessa forma me sinto mais próximo e afeiçoado a meu leitor. 

1 de março de 2017

A moral de Moraes

Roberto Teco Junior
Professor de Filosofia do ensino médio no Estado de São Paulo


     
Como é de conhecimento de todos, foi escolhido pelo golpista em exercício, Michel Temer, o novo, que é velho no tocante ao famoso jeitinho brasileiro, representante da Suprema Corte Brasileira, o então ministro licenciado da justiça Alexandre de Moraes. Com efeito, parece estar o atual poder judiciário comprado pelo grande capital, bem como Alexandre de Moraes representa os interesses deste segmento da sociedade juntamente com outro ministro, o polêmico e político Gilmar Mendes. É lamentável o que ocorre no Brasil em pleno século XXI, mas isto reflete uma geopolítica frágil e perturbada pelos donos do poder. Entretanto, pensamos ser prioridade e necessário um homem ou mulher no supremo, cuja índole seja ilibada, isto é, isenta de manchas, não afirmamos ser os mortais pessoas totalmente “puras”. Defender esta premissa seria atestado de insanidade, contudo, Moraes nos parece uma carta necessária para um governo ilegítimo, imoral e corrupto.