11 de julho de 2015

Prazer em conhecê-lo: TEXTO.

Por: Everton Marcos Grison         
        
          O texto inicia o momento em que o autor marca a página com o ponto final e dá o sopro vital necessário para que o escrito ganhe vida própria e voe desprendido. O autor deixa de ser quem produz e passa a ser o porta voz daquilo que é vivaz e, portanto, reclama sua liberdade e existência. Por ser um ente existente, o texto possui suas peculiaridades, exige um trabalho sério e espera do leitor as retomadas inumeráveis, para que a cada novo contato o sentido vá clareando cada vez mais.

            No labor filosófico a atividade de leitura é o plano principal. É através principalmente da leitura do texto filosófico, que se desenvolve todo o delineamento das ideias. Sem dúvidas, cabe ressaltar que para muitos o trabalho filosófico ultrapassa os limites do texto e se inscreve na sonoridade de uma música, no espanto estético de um quadro ou até, na própria apreensão do discurso oral desenvolvido de forma mais informal, mas nem por isso menos importante.
            O texto filosófico traz consigo todo um contexto o qual está inserido e reflete as ideias de uma época e lugar. Entretanto, parece se inscrever como texto filosófico não apenas por representar bem uma época. O texto de filosofia vai além de seu tempo e espaço; ele fala para as gerações futuras, os lugares ainda não existentes e aos leitores que ainda não nasceram.

            Desta maneira, é primordial a leitura e principalmente a releitura do texto filosófico, pois a leitura normalmente é marcada pelo desconforto da linguagem, a dureza da constituição das ideias, muitas vezes cunhadas com dor e suor. As ideias filosóficas também são a materialização do sofrimento e angústia de alguém que tenta dialogar com o futuro. Para tanto, a releitura é uma forma de honestidade com quem manchou aquela folha com as palavras, e um trabalho de sinceridade com o próprio texto, que não se apresenta todo de uma vez na primeira leitura. Em verdade, o texto é como o desenvolvimento de uma relação amorosa, que geralmente não acontece prontamente de uma vez. É fascinante o caminho, a conquista, o contato, a presença. Quanto mais presente, tanto mais o texto se desnuda e mais nítido fica seu sentido e sua profundeza. 

Um comentário :

Francine Cruz disse...

Ótimo texto, parabéns. Vou compartilhar com outros professores, pois ele serve não só para a Filosofia, mas para todas as disciplinas!