20 de maio de 2015

Paraná: o governador, os deputados e o óleo de peroba

Por: Everton Marcos Grison

Vivemos o inferno, com bombas, balas de borracha, spray de pimenta, violência e muita truculência. Estávamos desarmados! Apenas carregávamos as nossas ideias, os nossos sonhos e a indignação. Fomos massacrados por um governo insensível as causas públicas, incompetente nas questões técnicas e sem moralidade para ocupar o cargo que ocupa.

            O dia 29/04/2015 representa o pior dia da história na vida de muitas pessoas. Significa o maior ataque contra a democracia já perpetrado por um governante no Brasil, pós período militar. Quem sabe, os requintes de maldade orquestrados por Carlos Alberto Richa e sua equipe psicopata, tenham ultrapassado os limites da loucura praticada pelos militares entre 1964 e 1985 no Brasil. De uma vez só, o governo do estado expôs a tropa da Polícia Militar do Paraná ao completo ridículo, massacrou professores, funcionários e demais servidores e sepultou para sempre sua carreira política.


            Juntamente com Richa, trinta e um deputados mancharam suas mãos de sangue, ao votarem favoráveis ao projeto de Lei que alterou o sistema Previdenciário no Paraná. É um contrassenso, um absurdo completo, visto que a democracia foi sepultada inclusive como instituição: o governador arquitetava suas maldades diretamente com o Tribunal de Contas e com o presidente da Assembléia Legislativa (Ademar Traiano), que se amparava em mandados dados pelo Tribunal de Justiça.

            Montesquieu, um dos maiores filósofos no campo da política, estabeleceu os nervos centrais dos poderes que devem reger um sistema político, isto é, o Legislativo, Executivo e Judiciário. Cada poder deve ser autônomo e não pode se render a imposições, conchavos ou acordos com os demais poderes. No Paraná, todos sentaram a mesma mesa, para massacrar mais de 100 mil servidores, achincalhar a democracia e demonstrar que são instituições que servem em grande medida, para interesses particulares de poucos, enquanto a maioria paga pelos erros dos governantes.

            Há quem diga que a população errou nas urnas, ao escolher figuras carimbadas no cenário político paranaense, envolvidos em escândalos dos mais variados. Sem dúvida errou, mas nenhum erro seja ele qual for, merece como correção o tamanho da estupidez orquestrada em 29/04/2015.

            Para muitos ainda é difícil retornar a praça onde ocorreu o massacre. Não houve guerra, pois um lado estava desarmado. Houve crime e este foi minuciosamente organizado pelo governo do estado, pelo ex-secretario de segurança, e pelo ex-comandante da Polícia Militar do Paraná. É chocante observar nas imagens professores com muitos anos de trabalho, que formaram milhares de pessoas, levando tiros, alguns inclusive no rosto, estilhaços de bombas. Sendo tratados como bandidos, baderneiros, Black Blocs. O governo de Carlos Alberto Richa sangrou a democracia e a todos os paranaenses, na tentativa de resolver sua incompetência e esconder sua falta de habilidade administrativa. É um ótimo piloto de carros nas pistas, mas não sabe pilotar sua equipe e o Estado do Paraná.

            Na Assembléia Legislativa do Paraná os desgastes são grandes e sua base aliada começa a pular do barco furado de seu governo, entretanto, o cheiro de óleo de Peróba continua muito forte, pois muitos deputados continuam a besuntar suas caras de pau. Muitos acham que estão ali para trabalhar, entretanto, devem representar o povo primeiramente, trabalhando para a melhoria das condições de vidas dos que lhes elegeram. Os deputados no fundo, ao menos os do Camburão, querem pintar e bordar esperando que a população fique calada e aceite as chicotadas. Felizmente a trave que impedia o olho de abrir caiu, a consciência ganhou sagacidade, o silêncio obsequioso foi interrompido e o coração, mesmo remendado, continua a bombear sangue para que a voz da maioria derrube os murros da incompetência e mau caratismo: No pasarán! 

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