23 de setembro de 2014

Diálogos com a Escola da Ponte

Por: Everton Marcos Grison


     
  A escola tem vivido desafios gigantescos na era da velocidade. A educação tem sido provada diariamente, no que diz respeito à atualização, competência, viabilidade e precisão. Sociedade e famílias tem legado a escola o básico, o intermediário e avançado, no processo de construção do sujeito educado e pensante. Para responder aos desafios lançados, muitas escolas e a própria educação tem se voltado para uma revisão de práticas, ousando em inovações ou enrijecendo processos e centralizando as atitudes em polos isolados. É bastante positivo que a escola não esteja dando conta dos desafios, das urgências, pois assim, permanece aberta a possibilidade de novas ideias e novos caminhos. A Educação e a escola se fazem como processo de construção e não como fim acabado. 


          Neste sentido a Escola da Ponte, situada em Portugal, tem desafiado educadores, pais e alunos de todo o mundo, pois sua proposta vai à contramão de boa parte das práticas e defesas pedagógicas mundiais. O projeto FAZER A PONTE, que é tema do livro: Diálogos com a Escola da Ponte, de José Pacheco e Maria de Fátima Pacheco, publicado no Brasil pela editora Vozes, é a materialização de um curso online (http://www.aquifolium.com.br/educacional/ponte) , oferecido pela escola da Ponte, no sentido de informar aos interessados sobre suas práticas, socializando novas alternativas pedagógicas positivas. 

           Tal projeto está centrado na defesa irrestrita da autonomia. O Aluno da Ponte recebe uma lufada de responsabilidade, escolhendo e projetando suas atividades e seu percurso educacional, para que inicie com o que mais lhe atrai na pesquisa e termine cumprindo todo o currículo estabelecido para a fase. “O projeto da ponte é a vida a recomeçar em cada dia, em cada gesto... A motivação acontece, também, no saber o porquê” (p.16). 

          Eis um dos grandes desafios para os professores; como motivar os alunos desmotivados? Entretanto, uma pergunta anterior a esta é fundamental; como professores desmotivados poderão motivar alguém? Para quem participa do FAZER A PONTE, “a motivação é intrínseca ou não existe... compete ao professor estimular, provocar...” (p.52). Ninguém motiva ninguém, mas uma pergunta bem posta, uma provocação acertada e pontual, faz remexer a curiosidade de qualquer pessoa. Trata-se de saber fazer as perguntas adequadas, pois as respostas estão dadas no mundo. Neste sentido a filosofia enquanto área da indagação é fundamental para o processo de aprendizagem, que vai muito além de índices, números e papéis. 

           O livro é composto de um prefácio assinado por Wilson Azevedo, uma apresentação dos autores (organizadores) e uma série de entrevistas relatando como ocorre o FAZER A PONTE nas situações mais concretas. É um diálogo educativo que instiga e provoca. Vai muito além dos tijolos pedagógicos tradicionais, que não são lidos e terminam como base para o fogo nas lareiras. Além disso, ao final, traz anexos contendo o Projeto Educativo FAZER A PONTE, o Regulamento Interno, o Inventário dos Dispositivos Pedagógicos e por fim, o Perfil de Orientador Educativo.

          O material disponível no livro é muito curioso e contribui de modo determinante para pensarmos nossas práticas e a educação pública brasileira, pois a Escola da Ponte é uma escola pública de Portugal que intriga pensadores de todo o mundo. 


“Se algo que a Ponte fez, foi mostrar que a utopia é possível, que os sonhos são realizáveis, conciliando Eros e Tanatos, o princípio do prazer e o princípio da realidade” (p.76).

Este livro da editora Vozes pode ser adquirido em Curitiba pelo Telefone (41) 32331392.


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