27 de setembro de 2014

A PSICOLOGIA SOCIAL A PARTIR DOS DESAFIOS DE VIVER, CRIAR E PENSAR-SUBJETIVAR HOJE

Fonte
Por: EDINEI MARCOS GRISON


INTRODUÇÃO

          A psicologia social tende a muitos enfoques sobre muitas questões. Deste modo, uma visão de conjunto torna-se uma atitude audaciosa e de difícil estruturação. Mas, no entanto, cabe-nos motivar por este ensaio, a reflexão crítica e a problematização de questões – problemas do séc. XXI.

          Como enfatiza Florestam Fernandes, mais do que simplesmente descrever fatos e fenômenos sociais, devemos interpretá-los. Tal convicção tem como pano de fundo, o pensar crítico e uma abordagem conjectural de cada século, pois também é intuito deste labor, a exemplo de Zygmunt Bauman, mostrar como é a pós-modernidade, as relações e os agenciamentos de relações. Em demasia vive-se segundo uma metanóia3, mudança, mutação a cada instante, descartando até mesmo da humanidade de seu lar humano.


          Pensadores como Augusto Comte, Émile Durkheim, embebidos do positivismo, defendem a ideia de que “o social é uma coisa”, livre de afetividade e sentimento. Portanto, deve ser tratado, segundo o positivismo, todo o fenômeno social como uma coisa, observável e medível.

          Assim, acerta Bauman quando descreve que a ética da modernidade é baseada no útil, no prático, no rigor científico. Contudo, firma-se a “ética do bom se funciona”. Aqui urge a necessidade de existência do pragmatismo4 e do cientificismo5 de mãos dadas. As regas, métodos são seguidas, se não funcionar, não é bom, conseqüentemente é ruim. 

           Por isso requer que a humanidade pense, 


poderíamos aventurar dar a sugestão de que é tempo de parar com a coleta de informações. Como diz Poincaré, um acúmulo de fatos não constitui uma ciência, assim como um monte de pedras não se torna uma casa. Temos as pedras, não temos a casa. É preciso parar e começar a pensar. (MOSCOVICI in GUARESCHI, 2007, p. 38).


          Desde a década de 50, Moscovici apresenta um olhar crítico sobre a Psicologia Social, levantando a bandeira de que ela deveria ser uma ciência mais voltada para a mudanças (devir) do que para a ordem (estabilidade) da humanidade.

           Toda a realidade da existência humana é colocada em xeque, levando as fronteiras culturais cada vez mais à rapidez da mudança pelos meios de comunicação e locomoção. Todo este deslocamento pós – moderno, intitulado do séc. XXI, promove um contato intercultural, oferecendo repercussões sensíveis e palpáveis. Há por sinal, um complexo encontro/desencontro entre valores tradicionais e valores contemporâneos, relações familiares (crise da família patriarcal), identidades – pessoal e grupal, e concepções de categorias de gênero6, tais como feminilidade e masculinidade.

           Urge a necessidade de unir dialeticamente ética e estética, e, na dinâmica do dia a dia, (re) inventar a vida por práticas psicológicas de objetificação e subjetivação constantes.



A PSICOLOGIA SOCIAL EM QUESTÃO

Fonte
          Para um pretenso início de conversa, é fundamental dentro das discussões da psicologia social, a lógica SUJEITO – OUTRO – OBJETO, sendo capaz de apresentar os processos de agenciamento e relações entre sujeitos e abrir os leques de compreensão da interação. Segundo Moscovici é um modelo essencialmente dialético e dinâmico, como a psicologia social deve por sinal enveredar-se.

           De maneira geral, a psicologia social trata e tem como objeto de estudo os processos psicológicos, dialeticamente originados nos grupos sociais e nas interelações entre indivíduos. A relação de indivíduo para indivíduo, de grupo para grupo forma a base de subjetivação que tem como ponto chave, o interior e o exterior. Ao contrário, o pensamento cartesiano7 afirmou um dos dois princípios que forma a relação, ou seja, afirmou a individualidade (interior) pela razão humana. Onde se fala de indivíduo e determina-se a existência humana pela máxima: penso, logo existo; não há espaço e necessidade do social. Entretanto, o social neste caso, é uma mera soma de indivíduos e não é condição sine qua non para a existência do individual, singular. O grupo, neste caso, seria um amontoado de indivíduos, mantendo cada um a sua individualidade, sem progressão de relação com os demais indivíduos. Assim afirma-se a individualidade, não a relação. Mas como poderia se pensar uma proposta ética, pensando o indivíduo e o seu exterior?

          Jeremy Benthan8 e tantos outros teóricos do séc. XIX oferecem uma possibilidade de resposta, a saber: enquanto cada indivíduo estive-se correndo atrás do seu próprio bem estar, todos os problema sociais estariam sendo solucionados automaticamente, não haveria necessidade da esfera governamental intervir, pois o Estado, a nação, o governo, só interviria se fosse necessário para defender e elevar interesse particulares de indivíduos. Mas, mesmo assim, reside-se na compreensão cartesiana, social simplesmente por estarem todos os indivíduos juntos. 

          Agora Émile Durkheim9, pilar da sociologia clássica, vai afirmar que o coletivo é a verdadeira realidade. O indivíduo só é indivíduo pela esfera social, ou seja, antes de indivíduo ele é social, coletividade. A pertença ao grupo é que oferece valor ao indivíduo, afirmando a necessidade do grupo, coletividade para que o indivíduo possa ser indivíduo, mas seguindo da coletividade. Os indivíduos são as engrenagens, a máquina, o social. Vale mais a máquina do que as engrenagens. A consciência que deve prevalecer é a consciência coletiva.

          Mais adentro ainda de uma possível resposta, compreende-se social como um aspecto que necessite de relação entre sujeitos, indivíduos, não pode ser entendido sem outros. O social é a relação constante de outros, diferentes. Assim sendo, se o social é um encontro de outros, os comportamentos tornam-se simbólicos, pois, 


comportamento simbólico é fundamentado e torna-se possível pelas normas sociais e regras e por uma história comum que reflete o sistema de conotações implícitas e pontos de referência que, invariavelmente, se desenvolvem em todo o ambiente social (GUARESCHI, 2007, p.49).


          Deste modo, a psicologia social só pode ser uma ciência interessada pelo comportamento, individual em relação com o outro, e de grupos em relação a grupos, perscrutando o modo simbólico de relacionar-se. Por tais motivos, o simbólico não tem nenhuma outra égide de existência a não ser no social, e, sempre será. Nenhum simbólico pode ser individual. É uma construção essencialmente coletiva.

          Em suma, percebe-se que psicologia social é uma ciência que visa compreensões e tais compreensões de ordem profunda, sobre representações que sejam coletivas e culturais, partindo do pressuposto do simbólico como construção social. Mas como compreender, intervir, agir e viver frente às constantes mudanças e metanóias do presente século?

          Tal pergunta vem de forma precoce de resposta: a relatividade cultural que vem a humanidade vivendo. Oferece-se a base do descartável e do novo, constantemente mutável e variável no tempo e no espaço, sem nenhum porto seguro e nenhum padrão universal. Assim, não existe uniformidade nas respostas e nem nas necessidades. Hoje se fala mais em aculturação10, miscigenação11 do que em culturas padrão, ou em padrões de comportamento, pois é visível que cada cultura, no contato com outras culturas relaciona-se, se relê, (re) interpreta-se e promove a chamada aculturação.


GLOBALIZAÇÃO E FLUIDEZ SOCIAL

           Em acelerada efervescência ocorre o rompimento das fronteiras culturais para a formulação de muitas outras maneiras de organizar a vida. O tradicional abre as portas para o novo e volátil, a cultura letrada do livro, para a cultura imagética e audiovisual. O natural não é mais ter um padrão, mas não ter padrão algum que perdure no tempo e no espaço. Como menciona Bauman, lembrando Bourdieu numa conferência de 1996 em Freiburg, uma “reação visceral” (Cf. BAUMAN, 1999, p. 110).

          Na proposta de reflexão da globalização torna-se mister partir de liquides e fluidez que Bauman desenvolve nas suas profundas obras. Tais conceitos estão intimamente associados ao conceito de mudança, transformação e é por sinal, acoplável anatomicamente ao que era atual. Entretanto, o que é mais valioso é o tempo e não o espaço a ser ocupado, pois, segundo Bauman, o espaço se preenche somente por um momento. 

           A globalização sob o signo da mundialização encurtou por completo as distâncias geográficas, ampliou a locomoção física para um ritmo ainda mais acelerado, sendo um exemplo de derretimento de padrões que eram outrora vigentes e mais lentos. Os supercondutores das companhias telefônicas, os computadores, da natureza que forem, movem o homem e a humanidade para qualquer lugar do globo, podendo direcionar os sujeitos em várias posições no globo. Tudo isso confere segurança, praticidade ou é o início de um caminhar caótico?

           Tal resposta não é uma pretensão precoce, mas o objetivo de um aprofunda análise da pós-modernidade presente. Tal caminhar caótico que se pergunta, revela que a humanidade não passa de um monte de fagulhas, sem afeto, impulsionada por bens materiais e lucrativos, favorecendo o retorno não mais das relações na gratuidade, mas no retorno da espécie financeira em ritmo de “ganho” e “lucro”.

          Não são as relações entre indivíduos (alteridade) a alma do mundo globalizado. É de fato, o império da individualidade, do único, do voraz e do mais forte. O indivíduo é aquele que favorece a mutabilidade de cargos empregatícios, opera funções mutáveis e não tem controle nenhum sobre o destino subjetivo e profissional. O espaço público tem sido o catalizador de problemas privados, exemplo disto, a escola, bifurcando-se em assistência social e auxílio médico.

          Vive-se uma aurora revolucionária, onde os atacados são os padrões, a força motriz a mudança, a fluidez, a mobilidade e os tutores/espectadores os indivíduos. O micro poder abriu espaço para a sombra eregida do macro poder veiculado pela globalização e a interligação da humanidade, das coisas, dos espaços e dos negócios.


UMA REVOLUÇÃO PARA A CONTEMPORANEIDADE

          A modernidade líquida de Bauman, a vida volátil e o descarte intermitente de valores e padrões, aludem a necessidade do aufklärung12, como ponto de referência para se instaurar marcos críticos e reflexivos sobre a própria mudança, na mudança. A presente revolução que Bauman mapeou com sabedoria salientável, oferece também a alusão a tecnicização do mundo e da vida em nome da “modernidade” e da agilidade, com a proposta de correção e “perfectibilização” do corpo humano.

          O marco zero para se iniciar uma crítica para os dias hodiernos é o aqui, agora. potencializar extremos em pesquisas históricas, e por demais quase que arqueológicas, não oferecem um potencial sensível às vidas e aos corpos que seguem a medicalização do poder que revoluciona a modernidade, (re) significando até categorias de gênero, outrora heterodoxas. Mas, no entanto, não se sabe se a humanidade vive um verdadeiro progresso em relação aos antepassados ou um relativo período de decadência, onde o nada passa a ser o selo último da não-existência de mais nada como outrora. Assim sendo, pergunta-se, qual é o sentido dos dias atuais? Quais são os argumentos quando chamamos de atualidade os dias em que vivemos?

          Cabe por completo uma problematização gradual e crescente do que se diz saber hoje, do que se torna ignorância, do que é esclarecimento enquanto processo de conhecimento e enquanto até história do pensamento como algo que almeja direcionar o saber para o presente. “Prestem atenção, não é nos grandes acontecimentos que devemos procurar o signo rememorativo, demonstrativo e prognóstico do progresso; é em acontecimentos muito menos grandiosos muito menos perceptíveis” (Cf. FOUCAULT, 1984, pp. 107-108). Por completo, a revolução passa a ser um agente de progresso quando ela é acolhida pelos indivíduos que não participam dela, deixando-se conduzir pela mesma. Assim, a revolução é significativa por lançar a humanidade numa constante disposição moral. A revolução sempre atestará o ideal de progresso, numa das faces dela mesma e a outra face dará importância não aos feitos revolucionários, mas a vontade de revolucionar que é presente na humanidade atual.

          Segundo Perbart (2000), o presente é perturbador, pois instaura uma crise na racionalidade que se arrasta historicamente desde o iluminismo, colocando a atualidade novamente na ordem dos sujeitos, imbricados no presente, falando do mundo, das coisas e de tudo como um eterno presente.

          Colocados na esfera da crítica, cabe-nos agora, problematizar sem restrições o presente, afim de não destruí-lo, eliminá-lo, mas de buscar as reais virtudes desde nosso século. Mas, quanto mais problematizado, o presente, maior será possibilidade de (re) invenção, a partir daquilo que está por vir, almejando alcançar um agenciamento coletivo das subjetividades a caminho. Desaprender sem limites querer o que está por vir é desejar a revolução, formando alternativas de subjetivação e objetivação em relação a formas tradicionais, cristalizadas e formas atuais, desafiadoras. Aprender no devir subtrai modelos institucionalizados, não pressupondo direcionamentos objetivados para resolução de problemáticas. É antes de tudo uma ação, ética transversal, transversalizante, uma abertura total do Eu para a diferença.


Falamos, aqui, de uma Revolução Molecular, cuja expressão em geral pode ser dada através de feições ainda informes, não constituídas e significadas, ainda inauditas e imperceptíveis. Falamos de um processo de molecularização, de despersonalização, de antagonismo à soberania do eu e de suas referências identitárias, potências do extra-ser que se encontram cravadas na carne do ser, de cuja existência apenas podemos acessar sua manifestação em formas, sendo elas próprias fugidias, aceleradas, nômades, não se deixando nunca resolver, decifrar ou expurgar. Forças nômades que compõe máquinas de guerra, forças de traição e de fazer fracassar aquilo que o clarão da razão de cada época nos apontou como verdadeiro, bom, justo e belo (FONSECA, 2006, p. 87).


          O corpo não pertencente a nenhuma forma, sedendo espaço a todas as formas de subjetivação objetivação, tornando-se progressivamente uma deformação. Assim sendo, o corpo adapta-se ao mundo que lhe é conferido como pronto e espaço das possibilidades de subjetivação. Desta maneira, o sujeito, o indivíduo é um “espelho do mundo”, prendendo a todas as diferenças no molde do global, homogenizado, igual.

          Mas, contudo, o corpo não é algo pronto, nos é dado como possibilidade plena e permanente de produção, enquadrado nas significações, nos códigos morais, nos códigos de valores, sendo um nada à mercê do inventar-se e ser inventado. Seguindo está linha reflexiva, Gilles Deleuze afirma, corpos sem sede de forma.

          Em contra partida, Michel Foucault apresenta o corpo como portador de uma esfera biopolítica, referindo-se a todos os processos de medicalização do corpo, atrelado ao poder de controle da vida.

          Tudo e todos, sejam profissionais da saúde, da educação, filósofos, psicólogos, todos por sinal, estão interessado em falar da vida, mas nos perguntemos, será que tanto se fala e defende a vida, caminhando em direções opostas; não se está lançando a vida no centro de um contemporâneo Auschwitz? Onde todos sabem da vida, falam dela, mas enfim ela é decapitada. Entretanto, é o corpo o sacrário do valor maior a vida.

          Como promover individuação, subjetivação num mundo que cerca e controla a vida? Na tentativa de encontrar respostas, o próprio sujeito torna-se um emaranhado de batalhas, dúvidas, incertezas e objetificações. Para Virmo (2003), o coletivo pode criar um novo espaço de individuação/subjetivação, criação, significação (re) significação. De repente, uma alternativa a ser explorada.


CONCLUSÃO

          Voltemos ao início deste ensaio. A proposta inicial de problematizar como se constituía o Social da Psicologia que se tornara social através da história foi com um único objetivo, a saber: fugia da lógica racionalista cartesiana e ampliar o social para além de uma soma de indivíduos, almejando mostrar a subjetivação como processo de construção coletiva, aberta e social. Mas ainda resta um questionamento: hoje a humanidade tem o esclarecimento devido para considerar que todo sujeito é social, dependente da coletividade e da criação simbólica da cultura? Não queremos que se torne estanque em algumas dúzias de palavras as respostas e os questionamentos que o presente ensaio irá oferecer, pois melhor que conferir panacéias, o objetivo central deste labor é problematizar, inquirir.

          Muitos questionamentos surgiram na produção deste ensaio, refletindo o modelo de globalização e a fluidez social em que o séc. XXI vive. Portanto, a acelerada efervescência dos padrões, valores, normas morais e de conduta que evaporam na fluidez que segue nossos dias levamos a concluir o seguinte: a mudança, o devir, o descarte propõe que não se pense em afirmar valores como outrora para longas gerações, pois o tempo (o agora) é que determina a sua existência, portanto, exigindo que a cada momento o homem, a humanidade seja desenhada e se desenhe pela finitude que é o processo de subjetivação e objetivação na pós-modernidade. Aberto, flexível altamente mutável e perecível. Assim chegamos a uma questão: o homem é capaz de abrir-se a uma lógica que priorize a finitude sem estar ávido pelo amanhã, o depois?

          Frente às pós-modernidade e a liquefação social, o que fazer? Urge a necessidade de uma revolução de ordem micro (particular) e macro (social) dentro deste século. Tais preocupações podem desenvolver um pessimismo em relação à vida, a época hodierna e até em relação à humanidade. Mas não foi este o objetivo deste ensaio. Cabe de ordem conclusiva, problematizar, questionar e inquirir a presente época, almejando não um contentamento frente às frenéticas mudanças, mas preocupando-se em que palco a humanidade vai chegar. Quais são as reais virtudes do nosso século? O que ainda resiste ao descarte, à fluidez? Espera-se que tais questões sejam o marco iniciar de outros trabalhos de aprofundamento e esclarecimento ainda maior dos dilemas vividos e em vivência do século XXI.


*NOTAS:

1 Licenciado em Filosofia pela UFPR, pós-graduado lato sensu em Psicologia: práticas sociais e desafios contemporâneos, da Universidade Comunitária Regional de Chapecó (UNOCHAPECÓ), professor de Filosofia, História e Sociologia dos Colégios Geração Construtiva , E.E.B. Professor Custódio de Campos e E.E.B. Professora Neusa Massolini.

2 Compreende-se temas atuais como questões que concernem a humanidade no século XXI, tais como: Violência, discriminação, diferenciação de categorias de gênero, trabalho, família e tantos outros modos de agenciamento de relações entre subjetividades que estão constantemente a caminho.

3 Metanóia: compreende-se o sentido de mudança total, radical.

4 Pragmatismo: “(ingl. Pragmatism) Concepção filosófica, mantida em diferentes versões por, dentre outros, Charles Sanders Peicer, Willian James e John Dewey, defendendo o empirismo no campo da teoria do conhecimento e o utilitarismo no campo da moral. O pragmatismo valoriza mais a prática do que a teoria e considera que devemos dar mais importância às conseqüências e feitos da ação do que a seus princípios e pressupostos” (Cf. JAPIACÚ, 2006, p.223).

5 Cientificismo: “Ideologia daqueles que, por deterem o monopólio do saber objetivo e racional, julgam-se detentores do verdadeiro conhecimento da realidade e acreditam na possibilidade de uma racionalização completa do saber. Trata-se de uma atitude prática segundo a qual “fora da ciência não há salvação”(Cf. Idem,p.45).

6 Entende através da compreensão de performance e é múltiplo; é ação, e não totalidade ou identidade e se relaciona com classe, etnia, geração, etc. 

7 Refere-se as considerações teóricas de René Descartes (1596 – 1650) e do auge das influências oferecidas pela sua teoria à Idade Moderna na História da Filosofia. É considerado pai da Filosofia Moderna e um dos pensadores destaques do Racionalismo moderno.

8 “Jeremy Bentham (15 de fevereiro de 17486 de junho de 1832) foi um filósofo e jurista inglês. Juntamente com John Stuart Mill e James Mill, difundiu o utilitarismo, teoria ética que responde todas as questões acerca do que fazer, do que admirar e de como viver, em termos da maximização da utilidade e da felicidade” (Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeremy_Bentham, acesso em 10 de agosto de 2009).

9 “Émile Durkheim (1858 – 1917) Sociólogo e filósofo francês considerado o fundador da sociologia científica. Procurou fundar uma ciência do fato social, marcada por uma preocupação ética, buscando caracterizar o fato social como fenômeno coletivo, valorizando inclusive a interpretação histórica”(Cf. JAPIACÚ, 2006, p. 79).

10 Aculturação: é o diálogo de culturas distintas, promovendo a absorção de uma pela outra criando uma cultura anda não existente.

11 Miscigenação: é entendida como uma mistura de povos, raças, etnias, promovendo relações entre pessoas, povos e culturas.

12 Aufklärung: “Os filósofos do séc. XVIII se concebiam a si mesmos como inimigos das “trevas” da ignorância, da superstição e do despotismo. Por isso, procuraram situar-se no registro das Luzes ou Razão (do Enlightenment, em inglês, das lumières, em francês). Kant define as luzes ou Iluminismo dizendo que elas são a quilo que permite ao homem sair de sua menoridade, ensinado-lhes a pensar por si mesmo e não depender de decisões de um outro. “Sapere aude! Tenha a coragem de usar a sua própria inteligência” (Cf. JAPIACÚ, 2006, p. 21).



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUNAN, Zygmunt. Globalização: as consequências humanas. Trad.: Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999.

FONSECA, Tania Mara Galli; ENGELMAN, Selda; KIRS, Patrícia Gomes. A Revolução do Presente. Revista do Departamento de Psicologia – UFF. Rio de Janeiro, v. 18, n. 2, pp. 83-92, 2006.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 1984. V. II

GUARESCHI, Pedrinho. O que é mesmo Psicologia Social? Uma perspectiva crítica de sua história e seu estado hoje. In: VILELA – JACÓ, Ana Maria; SATO, Leny (Orgs.). Diálogos em Psicologia Social: Conferências proferidas no XIV Encontro Nacional da ABRAPSO. Porto Alegre: Editora Evangraff LTDA, 2007. pp. 37-52.

JAPIACÚ, Hilton. Dicionário Básico de Filosofia. 4ª ed. Atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.

PERBART, Peter-Paul. Prefácio. In: __________. Formas de ser e Habitar a Contemporaneidade. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2000.

VILELA – JACÓ, Ana Maria; SATO, Leny (Orgs.). Diálogos em Psicologia Social: Conferências proferidas no XIV Encontro Nacional da ABRAPSO. Porto Alegre: Editora Evangraff LTDA, 2007.

VIRMO, P. Virtuosismo y Revolución, la Acción Politica em la era del Desencanto. Madrid: Mapas, 2003.

SITE:

Enciclopédia Livre – Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeremy_Bentham> Acesso em: 10 de agosto de 2009.

Nenhum comentário :