4 de abril de 2014

Problemas das Ideologias no Estado Autoritário Brasileiro

          Por: Edinei Marcos Grison

      As raízes do Brasil[1] declaram os dilemas políticos, econômicos e sociais que determinaram o processo histórico no seu desenrolar como um Estado autoritário. Não há como negar a formação autoritária do Estado brasileiro[2] pela escravatura, independência (sem revolução) oligarquias, coronelismo (ligando a enxada e voto),[3] ditaduras (Vargas (projeto de nação 1930), Militares (progresso através da ordem) et. al.) pelas pseudas e demagógicas democracias (participação frustrada do povo brasileiro no governo) das eras Lula e Dilma[4].
          A partir do sonho da democracia, a história política do Brasil confunde-se em sua identidade com extremos, a saber: a harmonia e o conflito, os explorados e exploradores, senhores e servos, eleitores e eleitos (mais fácil pelo cabresto) analfabetos, letrados, cidadãos, corpos sem alma, árvores do poder discreto e cepas inférteis. Por conseguinte, os donos do poder[5] parecem compactuar com ideologias diversas, anacrônicas, dialéticas em prol do poder, domínio, propriedade e manutenção do poder, segundo uma publicação da Carta Capital de 02 de Abril de 2014[6]. É verdade que existem maçons que defendam a grande contribuição da Revolução de 1964. Uma bestialidade disfarçada de superioridade espiritual e intelectual.
 
Fonte: Web
         
Michel Löwy (1995 apud Ricardo Silva 2004, p.31) considera que é difícil encontrar uma ciência social capaz de definir com clareza e precisão o que significa o conceito ideologia. A complexidade é tamanha para definir. Parecem obrigatórios diversos encontros com inúmeros significados, contradições, equívocos e toda a espécie de mal entendidos quanto à orientação política do termo ideologia, seu significado (se existe um somente) e o amalgama com a realidade com vistas à revolução ou orientação para sociedades menos injustas.
         
            A polissemia do termo ideologia regulamenta também a opção de se acreditar em ideologias autoritárias que tornaram independente o Brasil dos portugueses que libertaram os escravos das senzalas (a de se mencionar a contribuição dos homens da discrição/maçons e da fraternidade, cuja propriedade é o poder político/econômico do Brasil), intensificando o progresso urbano (elite urbana/desenvolvimento industrial), retardando a democratização e intensificando as manobras das massas (trabalhadores livres remanescentes do agrarismo) a bel prazer dos donos do poder. Os fenômenos contemporâneos (protestos/reivindicações et. al.) parecem desconstruir as sociedades secretas do poder, elíticas, o poder do Estado autoritário, seus grupos, suas ideologias, os donos do poder e clamar pela cidadania que está no seu longo caminho[7], ainda em eterna impressão política e social na realidade.
          A atualidade parece explicitar sentidos negativos para o conceito ideologia, por apresentar ingênuo vinculo materialista. Não existe neste contexto um litígio geral contra um antigo sistema político. Existem revoltas, indignações sociais, desigualdades miseráveis, condições extremas de exploração, imobilidade urbana, colapso de políticas públicas, sistemas sociais de atenção à saúde e segurança. Não se propõe um novo regime, pois os revoltosos/manifestantes questionam o presente projeto político desigual que outrora ideologicamente em suas bandeiras representava o suspiro dos pobres, mas sem horizonte, nem ideologia predominante, nem classe e o plasma social reflete indignações perante a distância social do Estado autoritário e dominador para com a realidade sensível. Parecem também às ideologias estarem exauridas em projetos políticos frustrados e em coligações a-históricas pela manutenção do poder.
            Conglomerados de homens discretos e sempre presentes como: Sarney, Collor et. al. sanguinários da esfera pública estabilizam o poder a alguns, atrasando a luta pela emancipação da espécie humana. O Brasil que realmente existe é o de poucos cidadãos, de alguns homens (estes discretos e fraternos no ato de usufruir o poder) e muitos que migram da realidade tangível à metafísica dos ideiais de justiça e cidadania republicanas. Os donos do poder parecem alimentar pelas raízes um Brasil desigual. Muitos que dizem que ideologias alimentam manifestações e protestos, ignorantes consideram a ideologia algo que possui em si mesmo seu fim. Para Marx e Engels, a ideologia deveria refletir a materialidade das relações. Neste caso, o Brasil vive uma alienação no que tange a participação pública, política e material, pois os manifestos seriam muito maiores e expressivos.
           A consciência de esquerda e de direita na política brasileira declaram mesclas e novos arranjos políticos pelo poder, ignorantes às condições histórias, sociais e econômicas ideológicas e partidárias. É verdadeiro que as ideias que pareciam claras e distintas como nortes orientadores acabaram por matizarem-se sem transformar a realidade e sim somente a refletir como desigual administração de um Estado autoritário. Tanto de um lado (direita) como de outro (esquerda) reina a política da desigualdade e do império da discrição na administração do poder. Não existem ideologias no Brasil. Existem opostos da realidade e miseráveis da realidade. Tanto no estado esquerdista, bem como no de direita, impera a legitimação do progresso livre do indivíduo para o bem de si mesmo. A mesma ideologia separatista, liberal, imperialista, hegemônica têm responsáveis diferentes com tautologias nas maneiras de pensar/agir.
            Enquanto existir o Estado autoritário haverá aparelhos ideológicos como extensão do Estado. No Brasil as ideologias conhecidas refletiram somente sós a total referência política de poucos e únicos patriotas. A materialização da dominação simbólica e física esta na bandeira: Ordem a muitos e Progresso como triunfo de poucos.
            Em suma, a ideologia é sempre um objeto a ser criticado para não refletir aparelhos ideológicos[8] de poucos e discretos homens. A tradição é morta e os espectros, incomodados às novas realidades, processos e movimentos.


Notas: 

[1] Sugere-se para aprofundamento sobre o tema em: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

[2] Uma excelente discussão é desenvolvida no livro: SILVA, Ricardo. A Ideologia do Estado Autoritário no Brasil. Chapecó: Argos, 2004.

[3] Sobre o coronelismo no Brasil, sugere-se a seguinte referência: LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o município e o regime representativo no Brasil. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteria, 1997. 

[4] Considera-se a era Lula, Dilma como manifestação remanescente das bases ideológicas combatidas e silenciadas no regime militar. O grande salto esperado pelo povo brasileiro, a superação da desigualdade social, educação de qualidade, saúde com atendimentos prontos e com alta mobilidade, a segurança pública ruíram por terra. Escândalos políticos e crendice do povo pela participação no governo selaram frustrações e condições sociais ainda imutáveis.

[5] Sobre a expressão: os donos do poder sugere-se a seguinte referência: FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. 13 ed. São Paulo: Globo, [1998]. v. 2.


[7] Sobre a cidadania como longo caminho no Brasil, indica-se a seguinte obra: CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.

[8] Importante reflexão segue na obra: ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de estado: nota sobre os aparelhos ideológicos de estado. 7 ed. Rio de Janeiro: Graal, 1998.


REFERÊNCIAS

FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. 13 ed. São Paulo: Globo, 1998.


HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o município e o regime representativo no Brasil. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteria, 1997.

SILVA, Ricardo. A Ideologia do Estado Autoritário no Brasil. Chapecó: Argos, 2004.


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2 comentários :

oseias Maques Padilha disse...

Parabéns pelo artigo Edinei. Após a leitura me lembrei de Tocqueville, que apontava para a possibilidade paradoxal de medrar uma espécie de despotismo num regime democrático. Embora Tocqueville tenha refletido a partir do panorama político do século XIX, sua reflexão nos mostra que ele tratou de questões que estão longe de perderem a atualidade!

PROF. EDINEI M. GRISON disse...

Olá Colega Oseias. Acima de considerar o Estado político brasileiro um projeto de poucos e discretos, percebe-se a implicância de ideologias separatistas e individualistas, acima do sentido de soberania e igualdade coletivas.