30 de março de 2013

O coveiro Paulo Leminski

   Por : Everton Marcos Grison


Fonte: Editora Intrinseca
Fonte: Companhia das Letras
       
  O livro Cinquenta tons de Cinza, da autora E. L. James, publicado no Brasil pela Editora Intrinseca, tornou-se em pouquíssimo tempo o livro mais vendido. O forte apelo midiático, o espaço monstruoso ocupado  nas livrarias além de uma propaganda bem pontual, fizeram do livro um sucesso de vendas, e só. Muitos leitores acostumados a lerem estes livros de "milhões" relatam a falta de qualidade da escrita, o forte apelo a inferioridade feminina entre outras questões. Por outro lado, muitas pessoas se identificam com o texto, projetando situações ou até, desejando que certas coisas lhes aconteçam da mesma forma. O fio entre ficção e realidade se confunde.
          O livro permaneceu por meses como mais vendido em listas que não são confiáveis efetivamente. Mas bem, o que muito interessa e quem sabe seja uma das realizações mais significativas do mercado editorial brasileiro neste inicio de 2013, é a publicação de toda a poesia do escritor curitibano Paulo Leminski. A relação entre o livro "acinzentado" e a poesia de Leminski, não se restringe ao fato de que os versos do coveiro bigodudo, sepultaram o Cinquenta Tons de Cinza, tomando o primeiro lugar de livro mais vendido. Claro que as listas não são confiáveis, mas isso não importa tanto, quando vemos um livro
lançado em 27/02/2013, já se encontrar na terceira reimpressão.
  O livro foi abocanhado por um número crescente de leitores que se viram diante de uma maravilha; toda a poesia já publicada de Paulo Leminski reunida em um volume, com capricho e qualidade editorial. O laranja da capa com um desenho de bigodes bastou para marcar a presença desta figura. Vê-lo desta forma, reconhecido e celebrado é motivo de festa, pois estamos falando de um autor brasileiro, que está fora do eixo requintado de Rio-São Paulo. É de Curitiba, daqui, dali, de nós.
          Esta publicação contribui em muito para o reconhecimento da literatura curitibana, para o todo da obra de Leminski, mas também lembra, que muitos de nossos autores ainda são negligenciados em nossa terra. Negligenciar a própria terra é tratar a vida com desleixo, a história, a si mesmo. Ao darmos atenção demasiadamente humana aos "milhões", estamos matando nossa própria história, ao darmos um valor excessivo aos escritos que estão fora de nossas vistas, que não caminham em nossas calçadas, que não exalam o cheiro de nossas flores, sim, que não falam de nós. A poesia de Leminski não fala, ela grita:

"Acaso é este encontro
entre o tempo e o espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que eu faço?"


LEMINSKI, Paulo. Toda a Poesia. São Paulo; Companhia das Letras, 2013. 


Obs: A apresentação da obra vem assinada pela grande escritora Alice Ruiz S, quem compartilhou anos, vida, poesia, com esta figura que é Paulo Leminski. 


Fonte: Google

Fonte: Google

3 comentários :

Francine Cruz disse...

Um ótimo texto, falando de um ótimo autor. Ainda bem que existem pessoas como você, que valorizam e divulgam os maravilhosos autores paranaenses. Parabéns pela postagem!

Jonas J. Berra disse...

Muito bem colocado Everton! Se não valorizamos quem escreve aqui, vamos valorizar o que? Além do mais, 50 Tons é uma aberração de nossa sociedade contemporânea. Uma literatura de mercado, enquanto que as poesias do Paulo tem originalidade e personalidade que ultrapassaram os limites e obrigações do mundo capitalista da industria de massa.

Alexandre luis santos disse...

"O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau e pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhadaputa
de fazer chover
em nosso piquenique."

Paulo Leminski


E não é que fez chover mesmo?!