14 de fevereiro de 2013

Ludwig Wittgenstein

Por: Jonas J. Berra 

           Ludwig Joseph Johann Wittgenstein nasceu em Viena em 1889. Ficou popular ao mesmo tempo pela sua genialidade e pela personalidade incomuns. Como descreve Teofilo Urdanoz, a vida de Wittgenstein foi, em muitos aspectos, de muita originalidade e estranheza, assim como foram as suas obras.
Até os 14 anos estudou em casa. Depois foi para Linz, onde teve uma educação de ênfase nas matemáticas e ciências físicas. Estudou engenharia na Escola Técnica de Berlin de 1906 até 1908, ano em que foi para a Inglaterra.

          Como se pode notar, o filósofo conheceu muitos lugares e, desde cedo, recebeu uma educação invejável, que, provavelmente, poucos poderiam ter. Não seria estranho, visto ser herdeiro de uma das maiores fortunas da Áustria. Isso já o tornava diferente da maioria das pessoas, que mal sabiam ler e escrever. Na Inglaterra, Wittgenstein leu a obra Os Princípios da Matemática de Bertrand Russell. Depois disso, seu olhar voltou-se apaixonadamente para a lógica, o levando a estudar no Trinity College em Cambridge (1912-1913). Curiosamente, em 1914 a guerra mal havia começado, mas lá estava ele se alistando no exército austríaco. Foi enviado à linha de frente da Rússia e na Itália. Em novembro de 1918 chegou a ficar prisioneiro dos italianos. Foi nesse momento de isolamento que escreveu o Tractatus Logico-Philosophicus, que só seria publicado em 1921. O que ninguém poderia imaginar é que, assim que libertado, ele se livraria da herança que tinha recebido ainda em 1913.

          A filosofia de Wittgenstein geralmente é dividida em duas fases. A primeira corresponde a essa obra escrita quando era prisioneiro de guerra: o Tractatus. A segunda fase corresponde a da obra publicada postumamente, chamada Investigações Filosóficas. Alguns defendem que se tratam de obras excludentes, outros dizem que são complementares. Para Urdanoz (1984, p. 167), do ponto de vista lógico, não há como defender a continuidade entre o Tractatus e as Investigações, já que a segunda obra é uma dura critica aos erros da primeira.

O Tractatus Logico-Philosophicus
Foi a obra que deu um novo rumo ao pensamento filosófico do início do século XX. A palavra chave desse momento é “análise”. Não haveriam problemas genuinamente filosóficos, mas meros erros nas formulações das perguntas. Os problemas filosóficos não seriam mais do que problemas de linguagem. Essa visão foi levada mais adiante, com intenso fervor, pelos filósofos do Círculo de Viena, que desenvolveram um critério de demarcação do conhecimento baseado na verificação e no empirismo para dizer o que faria sentido e o que não faria, usando como base a obra de Wittgenstein. Do lado da ciência ficariam as proposições com sentido, por se tratarem dos dados da experiência empírica e poderem ser verificados empiricamente. Já, do lado da pseudociência ficariam as proposições sem sentido, por não poderem ser observáveis empiricamente ou serem verificáveis. Exemplos disso são coisas como a alma, Deus e Mundo. José Oscar de Almeida Marques (UNICAMP) tem uma resenha em: ttp://www.cfh.ufsc.br/~wfil/jmarques4.htm.

As Investigações Filosóficas:
Foi onde expôs sua mudança de posicionamento em relação ao Tractatus. Antes, a linguagem e a lógica se sobressaiam a tudo, eram capazes de explicar qualquer coisa. Agora, parece que a linguagem e a lógica não conseguem dar conta do mundo, porque a linguagem não se configura em um todo homogêneo. Por isso a ideia de Jogos de Linguagem. O que determina o significado de uma palavra é seu uso, não havendo uma essência por trás do significado das palavras.
Ricardo Peraça Cavassane (UNICAMP) escreveu um artigo intitulado A CRÍTICA DE WITTGENSTEIN AO SEU “TRACTATUS” NAS “INVESTIGAÇÕES FILOSÓFICAS”, que está disponível em: http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/ric/article/viewFile/337/374.

Referências: 
CAVASSANE, Ricardo Peraça. Artigo: A Crítica de Wittgenstein ao seu "Tractatus" nas “Investigações Filosóficas”. Último acesso dia 13 de fevereiro de 2013.
MARQUES, José Oscar de Almeida. Resenha: WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus; Tradução, apresentação e estudo introdutório de Luiz Henrique Lopes dos Santos. 2ª edição (bilíngüe) revista e ampliada. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1994. Último acesso dia 13 de fevereiro de 2013.
URDANOZ, Teofilo. Historia de la Flosofia VII. Biblioteca de Autores Cristianos. Madri: 1984.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. Petrópolis: Vozes, 2005.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: EDUSP, 2001.

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