17 de fevereiro de 2013

Combustão das palavras; um livro sobre livros?

Por: Everton Marcos Grison

Fonte: globo livros
          Fahrenheit 451 (Ray Bradbury), um pequeno grande livro, dose do mais fiel sentido revoltado, da sobrevivência do mundo autônomo. Desfere, com fogo é claro, uma labareda ardente em direção à prisão televisiva que vivemos, sem perceber que nos privam a liberdade, isso se algum dia provamos de fato isso. Distribuindo prazer, criando alegria, dando-nos uma família que sempre ri, diz coisas tão tolas para que não ocupem espaço nenhum na mente de ninguém. 
É preciso muito espaço para pouca qualidade e muita quantidade de uma merda fedorenta, coberta de bolor, cagada por uma minoria que distribui sorrisos e estupram a nossa consciência. Grudam no nosso cérebro como vampiros sedentos por miolos (o linguajar não é desproporcional, em certa medida é pouco para o roubo praticado). Suas fezes fedem porque são compostas de cérebros vazios, de vidas iguais, de pessoas maquinizadas. Este livro representa um soco duplo, uma crítica humorada e mordaz sobre o que fazemos diariamente. Quantos livros você já queimou hoje? Esta semana? Este mês? Este ano?
         “Queimar era um prazer”, assim o autor abre o livro, de forma marcante, destrinchando uma postura de questionamento individual; de que tipo de fogo ele fala? Parece-nos que queimar livros não significa apenas queimá-los de forma literal; querose, livros e fogo. Ledo engano. Queimar é muito mais que isso. Quem sabe para entendermos, precisemos adentrar o fogo para medir proporções, ou seja, precisamos correr o risco de nos queimarmos também.
          O que é o fogo? Por que deste título? O que significam os livros? São perguntas que exigem pelo menos a leitura ou também, a visualização da interessante adaptação cinematográfica feita pelo famoso diretor François Truffaut em 1966. Filme por sinal, que está disponível no youtube:(Fahrenheit 451) , entretanto, a leitura do livro é indispensável, pois a relação texto-leitor só se efetiva com o ato da leitura. 
          É indispensável salva guardarmos a memória, pois a sabedoria não está nos livros. Neles encontramos, tão e somente, pistas. É necessário um esforço contínuo para que os livros não se transformem em meros amontoados de folhas, cola, costuras e tinta, esperando inerte em uma prateleira, que um bombeiro venha lhe destruir.  


     

Um comentário :

Jonas J. Berra disse...

Ótima indicação Everton. Terei de ler!!!