3 de abril de 2012

Karl Raimund Popper


Por: Jonas J. Berra 

O que vou fazer aqui é reduzir ao máximo a vida e algumas das ideias de karl Popper. Espero que ele não saia do túmulo irritado por causa disso. Acompanhe os escritos referentes  abaixo:
       
       Karl Raimund Popper foi um filósofo da ciência austríaco que se naturalizou britânico. A importância de sua epistemologia falseacionista é reconhecida com a expressão "divisor de águas da epistemologia contemporânea". Com isso, se tenta dizer que existe uma compreensão de epistemologia antes de Popper e uma diferente depois dele. 

     Em 1928 concluiu o doutorado em filosofia. Ficou ensinando numa escola secundária (como o nosso Ensino médio) entre 1930 e 1936. Em 1937 precisou sair da Alemanha por causa do Nazismo. Conseguiu trabalho como professor de filosofia na Nova Zelândia. Ao se mudar para a Inglaterra em 1946, dava assistência nas disciplinas de lógica e metodologia cientifica da  London School of Economics, oonde mais tarde seria professor titular. 

       A Filosofia de Popper é entendida pelo termo Racionalismo Crítico. As teorias para o seu pensamento são sempre conjecturas, nunca verdades absolutas. Isso resulta da sua crítica à ideia tradicional de ciência, baseada no empirismo clássico e no observacionalismo-indutivista.  A ciência em seu estado atual é sempre provisória, porque as suas teorias sempre podem ser substituídas por outras melhores com o falseamento das mesmas. Quer dizer, as teorias científicas podem ser falseadas, negadas, e com isso, outra teoria pode tomar o seu lugar. 

      Para facilitar a compreensão de alguns aspectos de sua filosofia, irei enumerar alguns dos filósofos e correntes de pensamento de que trata Popper:

Platão: mesmo a "Apologia de Sócrates" como o trabalho que Popper mais tenha admirado, ele pensava que o fato de Platão defender o "Rei-filósofo" era um ponto negativo. Seria, o fator aristocrata de Platão até, um início de pensamento totalitário. 

Bacon: Popper não aceitava a ideia de limpar a mente dos ídolas. Ainda que isso fosse possível em certa medida, a crítica (possibilidade de se avançar no conhecimento), não ocorre com uma mente vazia. Isso também decorre de um método equivocado para Popper, a indução. A indução de Bacon é descrita como "indutivismo ingenuo".

Hume: teria sido feliz ao propor uma crítica ao método indutivo, porém, seus conceitos precisaram ser melhorados. 

Wittgenstein : recomenda-se que se leia "O atiçador de Wittgenstein ", que comenta um encontro entre os dois filósofos. Popper não concorda com a ideia de que não existam problemas genuinamente filosóficos. A filosofia não é apenas explicação de linguagens e conceitos.

Contra o Círculo de Viena:  o método verificacionista conduz facilmente a falácias, pois é um método que cria teorias a partir da enumeração de fatos empíricos e generaliza para fatos que não há experiência. isso se constitui num profundo engano lógico. Além do mais, um erro do Círculo de Viena era dizer que os e enunciados filosóficos e metafísicos não fazem sentido simplesmente porque não são empíricos.

Contra o marxismo (o historicismo): não há como saber o que acontecerá no futuro. O futuro é aberto. As predições do materialismo histórico marxista são enganações. Isso não é ciência, porque é pura especulação. Na obra "A Miséria do Historicismo", Marx é um profeta, não um cientista.

Debate com Adorno: era, na verdade, um confronto de matrizes de pensamento disputando um auditório universal, a fim de explicar da melhor maneira os fenômenos sociais.  De um lado, Popper pensando negativamente sobre o marxismo. Do outro, Adorno sustentando, junto com seus companheiros da Escola de Frankfurt, o revigoramento do marxismo na Alemanha e no exílio (ainda que pese a sua crítica ao marxismo ortodoxo). O debate entre os dois ficou conhecido como a oposição entre o positivismo e a dialética. 

Para começar a ler o autor:

- A Lógica da Pesquisa Científica
- A Sociedade Aberta e seus Inimigos
- Conjecturas e Refutações
- A Miséria do Historicismo

Outras referências desse texto:

Popper, Karl. Los dos problemas fundamentales de la epistemologia. 2.ed. Madrid:  tecnos, 2007.

RAPHAEL, Frederic. Popper: O historicismo e sua miséria. São Paulo: Unesp, 2000.

Angela Ganem. Karl Popper versus Theodor Adorno: lições de um confronto histórico. Acessado em 03 de abril de 2007 em: http://www.sep.org.br/artigo/5_congresso/2196_7f71f48a2deaceb2139054420e98fe9b.pdf

2 comentários :

Everton Marcos Grison disse...

Precisão e síntese com certeza são virtudes.
Indicações muito interessantes e propostas de estudos também muito produtivas. Ótima postagem. Com certeza Popper foi um grande homem. Ainda faremos uma mesa redonda tratando das discussões entre Popper e Adorno. Acredito que será muito interessante ver a "sociedade" pelo viés de um "positivista" e de um "dialético".

Jonas J. Berra disse...

Obrigado Everton. Não mereço tanto elogio! Como eu disse, é um texto de um professor desempregado! Afinal é simples e curto!