14 de dezembro de 2011

Theodor Wiesengrund Adorno


Por: Everton Marcos Grison 

Theodor Wiesengrund Adorno veio ao mundo em 11 de setembro de 1903, em Frankfurt-am-Main. Seu pai, Oskar Wiesengrund, judeu alemão, era um comerciante de vinhos e converteu-se ao protestantismo mais ou menos na época de seu nascimento. Sua mãe, Maria Calvelli-Adorno della Piana, era católica e antes de se casar, fora cantora de renome. Desde cedo, por influência da mãe, que tendia para a musica, sendo aos dezesseis anos, reconhecido como aluno talentoso, tornou-se aluno do conservatório de Hoch para aprofundar seus estudos musicistas.
Sua formação teórica não musical iniciou-se logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, devendo-se ao amigo Siegfried Kracauer, quatorze anos mais velho. Durante anos os dois, aos sábados à tarde, ocuparam-se do estudo da Crítica da Razão Pura, de Kant. Kracauer o incitava a ver o texto não apenas como uma teoria do conhecimento, mas possuindo uma espécie de mensagem codificada que se poderia decifrar. Graças a Kracauer, Adorno familiarizou-se com complexos conceitos histórico-filosóficos.
Percebe-se que desde jovem Adorno teve contato intimo com a filosofia. Era leitor de Kant, mas teve muita influência de Schopenhauer, Nietzsche, Marx, Hegel, Max Scheller, Max Weber e Georg Lukács, sendo o último, a personalidade que mais influenciou a primeira fase da Escola de Frankfurt. Já aos vinte e um anos de idade conseguiu uma promoção em filosofia, derivada de um trabalho seu sobre a fenomenologia de Husserl. Como membro do Instituto de Pesquisa Social desenvolveu juntamente com seus companheiros componentes do corpo da Escola de Frankfurt, variados estudos em pesquisa sociológica.
            Desde o inicio de suas formulações teóricas Adorno atribuiu grandioso papel as obras de arte; elas precisavam fornecer formas “inspiradas”. Na década de 20 seguiram-se numerosos artigos, dos quais, muitos enalteciam a musica de Schönberg, como portadora de “inspiração”. Em 1924 passa por uma crise vivencial e quase se converte ao catolicismo, entendendo-o como modelo que poderia reconstituir um mundo deslocado.
            Faz-se necessário um salto em direção ao final da década de trinta e inicio da quarenta. Isso tem ligação com Adorno, pois com o estouro da Segunda Guerra Mundial, e com os avanços e capturas das tropas alemãs, Adorno, um judeu, teve que emigrar para outros países europeus e depois, veio a se juntar com um grupo de frankfurtianos nos Estados Unidos.
Desta estadia americana e da grande amizade contraída com Max Horkheimer, surgiu a “quatro mãos” um dos maiores livros do século XX intitulado; Dialética do Esclarecimento. Os autores se propuseram de maneira incrivelmente estilística, a retornar até o mito de Ulisses (presente na Odisséia de Homero) e discutir a ligação do mito com o esclarecimento. Também se debruçaram com assuntos como o anti-semitismo, e foi neste livro que surgiu pela primeira vez o célebre conceito de Indústria Cultural.
O livro segue o rigor crítico se contraponto ao sistema geral de tradicionalismo, assaltando o próprio modelo de composição dos parágrafos do texto; os parágrafos em muitas vezes são extremamente longos justamente para contrariar o modelo tradicional de textualidade. Neste livro os autores também colocam a razão contra si própria, numa analise apuradamente detalhada, para demonstrar que os “avanços benéficos” prometidos pelo “iluminismo” dando plena autoridade a razão, possuem um caráter mitológico e nesta autoridade desmedida, um aspecto destrutivo da condição humana.
Pode-se afirmar que a Escola de Frankfurt era alicerçada na heterogeneidade que Adorno e Horkheimer compactuavam sobre um assunto comum. Por um lado, Horkheimer era inspirador de uma teoria interdisciplinar progressista da sociedade, contentando-se em ser o acusador de um mundo burocrático, no qual o capitalismo liberal que emergia da história de uma civilização fracassada, ameaçava desaparecer de vista. Já Adorno entrou em cena como crítico da imanência e como advogado de uma música liberada. Esta crítica da imanência abre a possibilidade de existência; certas coisas existem para além do conceitual, para além da área de abrangência do conceito e precisam ser investigadas, pois justamente por estarem mascaradas e distantes precisam ser postas à crítica.  
Em 1949-1950, apenas Horkheimer, Pollock e Adorno retornaram dos USA para a Alemanha. Adorno deu continuidade a sua produção teórica publicando livros que possuíam trabalhos antigos e novos, versando em críticas musicais, estéticas e dialéticas.
Próximo de sua morte, em 1969, Theodor Adorno se envolve em uma polêmica com seu companheiro e amigo da Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse por não ter apoiado os estudantes que, em 31 de janeiro daquele ano, interromperam sua aula, tentando continuar, dentro do Instituto, os protestos que tomavam as ruas das capitais da Europa. Adorno chamou a policia.
Marcuse se posicionou a favor dos estudantes e, em uma série de cartas, repreendeu e criticou severamente o amigo, dizendo de maneira clara que "em determinadas situações, a ocupação de prédios e a interrupção de aulas são atos legítimos de protesto político”. Em 06 de agosto de 1969 Adorno veio a falecer deixando um legado de escritos na sua maioria de relativa complexidade, mas que são instrumentos e antídotos eficazes para se entender os complexos problemas da contemporaneidade.

Para começo de Leitura:

ADORNO, Theodor W. & HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Tradução de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
ADORNO, Theodor W. Dialética Negativa. Tradução de Marco Antonio Casanova. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
DUARTE, RODRIGO. Adorno/Horkheimer & a Dialética do Esclarecimento. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
FREITAS, Verlaine. Adorno e a Arte Contemporânea. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

Para conhecer mais profundamente:

ADORNO, Theodor W. Mínima Moralia. Tradução de Gabriel Cohn. Rio de Janeiro: Azougue, 2008.
ADORNO, Theodor W. Teoria Estética. 2ª Ed. Edições 70, 2008.


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