22 de dezembro de 2011

Debate "A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia" - Barão de Itararé

Por: Jonas J. Berra

Video extremamente importante para entender o quadro atual da "Privataria Tucana". O mais importante é debater o assunto fora de ano eleitoral. Não deixem de ver:



Video Disponível em:
http://www.youtube.com/watch?v=7Sa7LXVccF0

Enviado por em 21/12/2011
O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, promoveu um debate sobre o livro "A Privataria Tucana" que contou com a participação do autor do livro, Amaury Ribeiro Jr., do jornalista Paulo Henrique Amorim e do Deputado Federal Protógenes Queiroz.
Realizado dia 21/12/2011

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17 de dezembro de 2011

Aumento de 28% para vereadores segue para sanção



Por: Jonas J. Berra

De um lado as descobertas de "novas" provas (por meio de documentos antigos), que mostram a corrupção promovida pelo governo FHC. Qualquer um já podia imaginar que havia muita coisa errada (e provavelmente continua havendo no atual governo).  Mais próximo de nós, o governo Estadual não dá a mínima aos professores e esquece que eles também deveriam receber o 13º salário (pelo menos antes que acabe o ano). Veja bem, quem não recebe 13º é estagiário, o professor PSS (do processo seletivo simplificado) não é estagiário. Ele é professor substituto. O fato de não haver uma lei não desobriga, do ponto de vista ético, que o professor PSS receba a remuneração correspondente pelo tempo de serviço como qualquer outro funcionário público. 
Ainda mais próximo de nós, à nível de município de Curitiba, os vereadores aumentam seus próprios salários. Algo que deveria ser, no mínimo, inconstitucional. Veja a reportagem abaixo, que relata a atual situação: 

"16/12/2011 | 10:18 | FERNANDA TRISOTTO, SANDRO MOSER, CHICO MARÉS E HELIBERTON CESCA
"Os vereadores de Curitiba aprovaram, em segundo turno, na manhã desta sexta-feira (16), o aumento salarial deles mesmos e a criação de um 13º vencimento. As medidas passam a valer a partir de 2013, primeiro ano da nova legislatura, já que o mandato dos atuais 38 parlamentares se encerra no fim do ano que vem. Neste turno, a votação foi simbólica e não houve contestação por parte da oposição.
Com isso, o subsídio dos vereadores irá saltarde R$ 10,4 mil para R$ 13,5 mil, o equivalente ao salário de um secretário municipal em 2013. O aumento é de 28%. A emenda que cria o 13º salário para os parlamentares também foi aprovada. Ao contrário de outros servidores públicos, os vereadores não recebem esse benefício, mas acreditam que tem o direto ao subsídio com base em um entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ)."

Veja na íntegra em: 

Veja alguns videos sobre o assunto:



15 de dezembro de 2011

"Privataria Tucana"

Por: Jonas J. Berra


Não quero criar uma postagem longa. Gostaria apenas de compartilhar algumas inquietudes. Como é possível perceber em uma das reportagens abaixo, o livro esgotou rapidinho das estantes das livrarias.
(http://correiodobrasil.com.br/imprensa-vive-dilema-ante-livro-que-devassa-privataria-tucana/341873/).

Tenho duas hipóteses para o fenômeno. Ou o PSDB comprou todos os exemplares possíveis para boicotar a venda dos livros, ou todos os petistas foram no mesmo dia às livrarias de todo o país para comprá-lo . Por favor, peço que olhem os videos e procurem se informar. É uma notícia que muda consideravelmente o quadro político do Brasil, recolocando o papel da mídia como geradora de opinião, não apenas de um modo neoliberal como tem sido feito pela maioria das grandes mídias. 









Mais sobre o assunto:


http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&gl=br&tbm=nws&btnmeta_news_search=1&q=privataria+tucana&oq=privataria+tucana&aq=f&aqi=&aql=&gs_sm=e&gs_upl=702l719l0l743l0l0l0l0l0l0l0l0ll0l0

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2011/12/adesao-a-cpi-da-privataria-cresce-na-camara-e-tem-adesao-ate-de-tucanos

http://correiodobrasil.com.br/imprensa-vive-dilema-ante-livro-que-devassa-privataria-tucana/341873/

COMPRAR O LIVRO: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=3261598&sid=013850246131217339369999546

14 de dezembro de 2011

Theodor Wiesengrund Adorno


Por: Everton Marcos Grison 

Theodor Wiesengrund Adorno veio ao mundo em 11 de setembro de 1903, em Frankfurt-am-Main. Seu pai, Oskar Wiesengrund, judeu alemão, era um comerciante de vinhos e converteu-se ao protestantismo mais ou menos na época de seu nascimento. Sua mãe, Maria Calvelli-Adorno della Piana, era católica e antes de se casar, fora cantora de renome. Desde cedo, por influência da mãe, que tendia para a musica, sendo aos dezesseis anos, reconhecido como aluno talentoso, tornou-se aluno do conservatório de Hoch para aprofundar seus estudos musicistas.
Sua formação teórica não musical iniciou-se logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, devendo-se ao amigo Siegfried Kracauer, quatorze anos mais velho. Durante anos os dois, aos sábados à tarde, ocuparam-se do estudo da Crítica da Razão Pura, de Kant. Kracauer o incitava a ver o texto não apenas como uma teoria do conhecimento, mas possuindo uma espécie de mensagem codificada que se poderia decifrar. Graças a Kracauer, Adorno familiarizou-se com complexos conceitos histórico-filosóficos.
Percebe-se que desde jovem Adorno teve contato intimo com a filosofia. Era leitor de Kant, mas teve muita influência de Schopenhauer, Nietzsche, Marx, Hegel, Max Scheller, Max Weber e Georg Lukács, sendo o último, a personalidade que mais influenciou a primeira fase da Escola de Frankfurt. Já aos vinte e um anos de idade conseguiu uma promoção em filosofia, derivada de um trabalho seu sobre a fenomenologia de Husserl. Como membro do Instituto de Pesquisa Social desenvolveu juntamente com seus companheiros componentes do corpo da Escola de Frankfurt, variados estudos em pesquisa sociológica.
            Desde o inicio de suas formulações teóricas Adorno atribuiu grandioso papel as obras de arte; elas precisavam fornecer formas “inspiradas”. Na década de 20 seguiram-se numerosos artigos, dos quais, muitos enalteciam a musica de Schönberg, como portadora de “inspiração”. Em 1924 passa por uma crise vivencial e quase se converte ao catolicismo, entendendo-o como modelo que poderia reconstituir um mundo deslocado.
            Faz-se necessário um salto em direção ao final da década de trinta e inicio da quarenta. Isso tem ligação com Adorno, pois com o estouro da Segunda Guerra Mundial, e com os avanços e capturas das tropas alemãs, Adorno, um judeu, teve que emigrar para outros países europeus e depois, veio a se juntar com um grupo de frankfurtianos nos Estados Unidos.
Desta estadia americana e da grande amizade contraída com Max Horkheimer, surgiu a “quatro mãos” um dos maiores livros do século XX intitulado; Dialética do Esclarecimento. Os autores se propuseram de maneira incrivelmente estilística, a retornar até o mito de Ulisses (presente na Odisséia de Homero) e discutir a ligação do mito com o esclarecimento. Também se debruçaram com assuntos como o anti-semitismo, e foi neste livro que surgiu pela primeira vez o célebre conceito de Indústria Cultural.
O livro segue o rigor crítico se contraponto ao sistema geral de tradicionalismo, assaltando o próprio modelo de composição dos parágrafos do texto; os parágrafos em muitas vezes são extremamente longos justamente para contrariar o modelo tradicional de textualidade. Neste livro os autores também colocam a razão contra si própria, numa analise apuradamente detalhada, para demonstrar que os “avanços benéficos” prometidos pelo “iluminismo” dando plena autoridade a razão, possuem um caráter mitológico e nesta autoridade desmedida, um aspecto destrutivo da condição humana.
Pode-se afirmar que a Escola de Frankfurt era alicerçada na heterogeneidade que Adorno e Horkheimer compactuavam sobre um assunto comum. Por um lado, Horkheimer era inspirador de uma teoria interdisciplinar progressista da sociedade, contentando-se em ser o acusador de um mundo burocrático, no qual o capitalismo liberal que emergia da história de uma civilização fracassada, ameaçava desaparecer de vista. Já Adorno entrou em cena como crítico da imanência e como advogado de uma música liberada. Esta crítica da imanência abre a possibilidade de existência; certas coisas existem para além do conceitual, para além da área de abrangência do conceito e precisam ser investigadas, pois justamente por estarem mascaradas e distantes precisam ser postas à crítica.  
Em 1949-1950, apenas Horkheimer, Pollock e Adorno retornaram dos USA para a Alemanha. Adorno deu continuidade a sua produção teórica publicando livros que possuíam trabalhos antigos e novos, versando em críticas musicais, estéticas e dialéticas.
Próximo de sua morte, em 1969, Theodor Adorno se envolve em uma polêmica com seu companheiro e amigo da Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse por não ter apoiado os estudantes que, em 31 de janeiro daquele ano, interromperam sua aula, tentando continuar, dentro do Instituto, os protestos que tomavam as ruas das capitais da Europa. Adorno chamou a policia.
Marcuse se posicionou a favor dos estudantes e, em uma série de cartas, repreendeu e criticou severamente o amigo, dizendo de maneira clara que "em determinadas situações, a ocupação de prédios e a interrupção de aulas são atos legítimos de protesto político”. Em 06 de agosto de 1969 Adorno veio a falecer deixando um legado de escritos na sua maioria de relativa complexidade, mas que são instrumentos e antídotos eficazes para se entender os complexos problemas da contemporaneidade.

Para começo de Leitura:

ADORNO, Theodor W. & HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Tradução de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
ADORNO, Theodor W. Dialética Negativa. Tradução de Marco Antonio Casanova. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
DUARTE, RODRIGO. Adorno/Horkheimer & a Dialética do Esclarecimento. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
FREITAS, Verlaine. Adorno e a Arte Contemporânea. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

Para conhecer mais profundamente:

ADORNO, Theodor W. Mínima Moralia. Tradução de Gabriel Cohn. Rio de Janeiro: Azougue, 2008.
ADORNO, Theodor W. Teoria Estética. 2ª Ed. Edições 70, 2008.


2 de dezembro de 2011

A dura vida de um ateu


Por: Jonas J. Berra


Reproduzo abaixo parte da reportagem de Eliane Brum (Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem) em que vemos a dificuldade de um ateu em viver livremente de seu modo. Veja abaixo:

Eliane Brum
"A parábola do taxista e a intolerância. Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”?"

"O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou.

“O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.

- Você é evangélico? – ela perguntou.
- Sou! – ele respondeu, animado.
 - De que igreja?
 - Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto..."

(Fonte para a reportagem na íntegra:
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/11/dura-vida-dos-ateus-em-um-brasil-cada-vez-mais-evangelico.html#header_comentarios)

Na continuidade da reportagem Eliane procura fazer uma diferenciação entre o catolicismo e o neopentecostalismo. Segundo a sua análise, o catolicismo no Brasil, por determinadas razões, é mais tolerante com o ateísmo, enquanto que a tendência neopentecostal não tem a mesma tolerância.
Ela deixa claro que não esta julgando a fé de ninguém. Apenas quer "tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro".

Ela fornece uma resposta:
"Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante." 

Quero deixar também meus sinceros agradecimentos a Eliane Brum pela iniciativa e publicação dessa reportagem. É evidente que os ateus não são aceitos em nossa sociedade. Costumo dizer que a sexualidade e a cor da pele são melhor protegidos do que os não crentes. Mesmo os crentes não são totalmente culpados pelo preconceito que possuem com os não crentes. Me parece que a religião fornece explicações sempre óbvias para o que não é óbvio. Na filosofia costumamos ouvir coisas do tipo: "O ateísmo é uma fé na não existência". Pode até ser. Mas isso deveria ser melhor estudado, pois se costuma dizer que o ateu não tem fé. Não ter fé é o mesmo que ter fé na não existência? Me parece difícil que isso seja verdade. Vou estudar mais sobre o assunto.