24 de maio de 2011

O que ainda devemos aos modernos?

 Por: Jonas J. Berra

         Neste dia 23, à noite, tive a oportunidade de acompanhar a palestra do professor Dr. Cleverson Leite Bastos. Ele discorreu sobre o tema da semana acadêmica de filosofia da PUCPR: "O que ainda devemos aos Modernos?". Farei aqui uma série de apontamentos sobre alguns assuntos que mais marcaram a noite, visto serem tantas questões interessantes e vastas.

LATTES: Prof: Dr. Cleverson
          Para o professor (com seu ar humorístico), o tema da semana acadêmica possui um título "errôneo" ao sugerir que poderíamos um dia não dever nada aos filósofos modernos. Para ele: O que devemos aos Modernos? Tudo, devemos Tudo aos Modernos.
           Claro que a intenção do título não é sugerir um corte epistemológico total, mas mostrar que quase tudo do que temos em termos de conhecimento em nossa sociedade, apesar do tempo histórico que nos separa dos modernos, devemos a eles.


      Em sua palestra, que o próprio professor preferiu chamar de "aula", vimos o resumo das principais questões filosóficas que perpassam a história de nossa civilização ocidental. Desde os gregos, Platão olhando para cima, esperando chegar ao conhecimento verdadeiro na contemplação das ideias inatas. Aristóteles, vê no concreto do mundo (o olhar para o chão, no empírico), a fonte do conhecimento verdadeiro.

     Duas questões essenciais da teoria do conhecimento surgem com esses pensadores: o inatismo e o empirismo, que foram muito bem explicados pelo professor, cujas correntes foram conciliadas na teoria do conhecimento dada por Kant na modernidade. Este, por sua vez, teria sido responsável pela morte de Deus, antes de Nietzsche.
         Mas porque, afinal, falar dos gregos e, em seguida, dos medievais, dizendo que gostaria de ter vivido neste período, em que nenhuma preocupação havia, se não, seguir os ditames da divina providência? Foi para percebermos o andar da história, visto que somos a soma de "n" acontecimentos históricos, desde a invenção da roda até os mais avançados microcomputadores. Para o professor: "Não devemos superestimar as civilizações antigas assim: 'Óh, como é possível que os egípcios tenham construido as pirâmides com aquela tecnologia?' Bom, o cérebro humano é o mesmo há 200 mil anos, se eles não pudessem empilhar algumas pedras, que se matassem então!" - fez graça o professor.
       Para o professor, não podemos também subestimar os povos mais antigos. Muito antes das grandes navegações dos ingleses e portugueses, daquilo que conhecemos como história branca, os mongóis já usavam tecnologias de navegação. Segundo o Professor, "os mongóis chegaram à europa com grandes embarcações de 200 a 400 metros de comprimento. Não gostaram do que viram, voltaram, queimaram os barcos e fecharam o país". Reflexão que pode gerar certas dúvidas, por ser tão controvérsa.
      No meio da noite, ele deu algumas explicações sobre o início da era moderna, sobre o fim das monarquias absolutistas com as revoluções inglesas e francesas. A revolução na Inglaterra aconteceu com o financiamento da coroa, já na França, com cabeças reais sendo guilhotinadas.
Devemos Tudo aos modernos. Somos a soma da filosofia grega, do direito romano e da espiritualidade judaico-cristã. Para o Professor Dr. Cleverson, não há como escaparmos disso. Mesmo quem se diz contrário a tudo isso, pensa com a cabeça formada a partir dessa cultura.
       Porém, no desenvolvimento do pensamento moderno existem autores chaves. Dentre eles, Newton. Cujo pensamento ficou em destaque com a frase escrita em sua lápide: "A natureza e as Leis da natureza estavam ocultas na noite, Deus disse: Seja Newton, e tudo fez-se luz". Newton é considerado pelo Professor Dr. Cleverson um gigante, sendo que Einstein é "um anão em seu ombro". A Revolução industrial teria acontecido graças a Newton. Para o professor, tudo bem, existem os outros filósofos, mas Newton criava tudo do zero, sistemas inteiros sozinho.
       De tudo que ouvi, pude perceber a fala de um mestre na arte de prender a atenção. O professor, mesmo certas vezes repetindo assuntos trabalhados em sala, é muito original, recolocando os temas e propondo soluções. Trata-se certamente de um orador único, que vale a pena ser conhecido por qualquer aluno de filosofia e áreas afins.

Veja as fotos do dia no Blog do centro acadêmico de Filosofia da PUCPR em: http://cafavpucpr.blogspot.com/2011/05/fotos-palestra-do-1-dia-da-semana.html

Fonte: CAFAV - PUCPR



As palestras da semana acadêmica continuam. Aproveitem:
Hoje
19 às 22h (NOITE)
Atividades culturais
Palestra - Jean Jacques Rouseeau
Prof. Dr. Ericson Falabreti
LOCAL: CCIS AUDITÓRIO IR. ALBANO

DIA 25 (MANHÃ)
Apresentação da peça Pesadelos Mitológicos Atores: Sawamu Ka Ueda e Sid.
Palestra - David Hume
Profª. Drª. Maria Isabel Limongi
LOCAL: CTCH AUDITÓRIO TRISTÃO DE ATAIDE


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