11 de setembro de 2010

Um dia para perceber! ( 3/3 )


Por: Malu Queiróz

"Apenas faça o que voce tem que fazer." 
"Ou então, não faça nada." 
"Viva com o conformismo de ser uma pessoa que não faz mal a ninguém."
Voce vê? Sua inautêntica? 
Voce já está usando o mesmo argumento.
Voce nao tem vergonha? Não sente nojo?
Nojo da sua falta de criavidade?
Do seu falar sem sal?
Do seu falar copiado?
Voce lê sempre as mesmas revistas para falar sempre as mesmas coisas quando está no meio das mesmas conversas e não quer perder para ninguém.
Voce quer ver sempre as mesmas caras de admiração.
Voce quer se alimentar sempre das mesmas lógicas.
Voce quer sempre as mesmas coisas imbecis.
Voce lê sempre o mesmo comentarista.
Voce faz sempre a mesma inútil coisa.
Voce atua sempre o mesmo papel. Sempre na mesma peca.
Voce!!! Voce!!!"


9 de setembro de 2010

Um dia para perceber! ( 2/3 )

Por: Malu Queiróz

Estou sempre fazendo as mesmas caras no espelho. Sempre fazendo as mesmas poses para as fotos. Sempre fingindo ser as mesmas cantoras. Eu xingo sempre com os mesmos palavroes. 
Eu dou sempre as mesmas ordens. Sempre, sempre com as mesmas manias, sempre com os mesmos medos. Sempre com a mesma palavra na boca: quero ser grande e mudar o mundo. Como, sua babaca?
Ficar dançando na frente sempre do mesmo espelho e rebolando sempre do mesmo jeito?
Como voce quer mudar o mundo jogando o tempo na mesma lata de lixo?
Como voce quer impressionar o mundo indo só por um mesmo caminho?
Jogando só em uma loteria?
Tentando acertar sempre o mesmo alvo?
Como voce quer lutar contra a pobreza e a desgraça fazendo sempre a mesma cara de pena?
A tua cara de pena de mocinha chocada não serve pra nada. Não vai trazer as chuvas que arrasam o Paquistao para o sertão brasileiro. A tua cara nao vai dar um tapa no Sarney, muito menos atirar o teu sapato de promoção, morto de lindo, na cara do Renan.
A tua monotonia causadora de ânsia nao vai recolher o petróleo do Golfo do México.
O teu mesmo jeito de tentar falar coisas inteligentes, das quais voce mesma nem sabe o significado, porque nunca sentiu na pele, nao vai te fazer uma nova Zilda.
A tua mesma tentativa de se afirmar, de querer impressionar nao vai mostrar pros corruptos que não está certo agir daquela forma.
A tua mesma burrice nunca vai levanter um pó.
A tua burrice te consome e te esgota. É isso, a tua burrice te consome. A tua monotonia te conforma.
O teu mesmo discurso me enoja. Os teus mesmos debates me cansam.
As tuas mesmas objeções me abatem.
Chega."

8 de setembro de 2010

Um dia para perceber! ( 1/3 )


Por: Malu Queiróz

"Um dia eu percebi que escuto sempre as mesmas músicas. Um dia, eu percebi que tenho sempre os mesmos argumentos, que nem cogito experimentar novas perguntas, muito menos ler outros filósofos. Um dia me ocorreu que tenho sempre as mesmas risadas e as mesmas piadas. Consegui ver que não me passa pela mente trocar o pop por Bethoven.
Um dia, bem num dia completamente insignificante e chuvoso, no qual eu tenho sempre os mesmos pensamentos, me veio na mente que tenho sempre os mesmos planos, sempre os mesmos desejos, sempre as mesmas futilidades e burrices.
Me sorriu a ideia de que escrevo sempre os mesmos poemas, e que de modo algum me ocorre dissertar sob um outro ponto de vista.
Tenho percebido que os dias tem passado e eu tenho sempre a mesma monotonia ridícula. Tenho sempre a mesma demagogia julgadora, sempre o mesmo defeito.
Escuto agora pela décima quinta vez “Speechless” do Michael…e já até aproveitei a tecnologia e programei o controle remoto para repití-la sem eu ter que me mexer.
No fundo é isso que tenho feito com meu tempo: tenho programado-o para fazer sempre a mesma coisa.
When I am with you I am far away and nothing is for real…”

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre? Sem saber, que o pra sempre sempre acaba…”
Nao. O pra sempre não pode acabar. O pra sempre, sempre continua. Porque há quem não quer que mude."