13 de setembro de 2019

Redação: Uma solução contra a cultura da violência


Estudante Manoela Vitória Cubas Santos Gonçalves
Colégio Ivo Leão - Curitiba
https://opiniaocentral.wordpress.com/tag/kant/

Nos dias de hoje, a cultura da violência tem crescido muito. Exemplos disso são os atentados de uma escola de Suzano em São Paulo e de uma sinagoga da Nova Zelândia. Em ambos os casos se observou o extremismo da violência humana, da falta de empatia e respeito ao próximo. Uma solução e até uma forma de impedir essas atrocidades é retomar o pensamento de dois grandes filósofos da ética, especialistas em questão de comportamento humano: Kant e Aristóteles. Graças a esses dois pensadores se pode propor uma ética e lei universal, isto é, uma regra válida para todos, com o intuito de reduzir o número desses casos de violência extrema.
Para Aristóteles a função do ser humano é ser feliz. Algo possível através da prudência que é parar, pensar e agir. Por isso, seria muito mais fácil impedir atrocidades como de Suzano e da Sinagoga da Nova Zelândia caso todos aprendessem sobre a ética aristotélica. Ela ensina a viver conforme o caráter, mas implica ação racional, refletida.  Nos casos citados, as ações parecem não ser fruto de uma reflexão racional, mas de uma impulsividade emocional e irrefletida.
Já para Immanuel Kant, todos nós possuímos habilidades, como a sensibilidade, o entendimento e a razão. Do ponto de vista kantiano, a criação de ideias e juízos (julgamento, escolha) ocorre na razão, pois adquirimos a liberdade de escolher sabendo que há consequências. Assim como um indivíduo que opta pela violência ou comete um massacre, por exemplo, terá um preço por isso. Ao ler sobre a responsabilidade que se tem diante das escolhas que se faz, o indivíduo tem melhores condições de evitar ações que prejudiquem a si e os outros. Por isso, Kant propõe um imperativo categórico, segundo o qual a autonomia permite ao indivíduo decidir não por medo ou por recompensa, mas por convicção própria.
Percebe-se a necessidade de que as pessoas atuem de acordo com o princípio da ética agindo corretamente visando o bem comum e que, quem sabe, cheguem a cumprir a lei universal, que é uma espécie de regra válida para todos. Por exemplo, a defesa da vida humana indiferente da situação existente. Assim, será possível viver como uma comunidade, desde que a lei universal seja cumprida. Dito isso, a melhor forma de aplicá-la é com as aulas obrigatórias de ética, projetos como atividade extracurricular, tendo filmes com temas atuais e que possam ser discutidos nas salas de aula.

1 de setembro de 2019

Redação: Como a arte e a cultura podem resolver a violência?

Estudante Camila Perussulo Sauim
Colégio Ivo Leão - Curitiba
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É inegável que houve aumento na cultura de violência, e que muito foi comentado sobre massacres e atentados nos últimos tempos, principalmente sobre o ocorrido em Suzano (SP) e na Nova Zelândia. Isso entra em contraste com o comportamento humano, moldado através dos séculos de incentivo da violência. Por isso, a sociedade atual necessita mudar. O que é possível com valorização da reflexão e das artes, a fim de haver uma maior conscientização de como as atitudes de cada um impactam na vida dos outros.
Com a divulgação dos acontecimentos em veículos de comunicação, grande parte dos internautas romantizaram um morticínio. Isso levanta a seguinte questão: como evitar pensamentos de ódio e violência? Uma alternativa plausível de canalização desses pensamentos seria com a intervenção da arte, usando como forma de manifestação, seja por escrita, desenhos ou dança que explora a sensibilidade e estimula a criatividade.
A arte é um fator necessário para a vida humana. Se retirada da alma é impossível de se viver e expulsar sentimentos presos, qualquer que sejam. Quando se desperta a curiosidade e paixão, pode também facilitar um movimento de reflexão e conscientização sobre o que une as pessoas. Essa conscientização gera um impacto positivo e uma transformação é percebida, trabalhando a expressão, subconsciente, comunicação e ideias, seja no individual ou no coletivo.
 Percebe-se que a maneira mais eficiente de combate à violência é investindo em cultura, na propagação da arte, para que os indivíduos aprendam a se expressar, falar sobre seus sentimentos e evitar com que traumas ou acontecimentos reprimidos sejam gatilhos para futuros incidentes, tais como o de Suzano e Nova Zelândia. Com medidas socioeducativas, projetos de dança, entre outros, seria um bom começo para evitar a perpetuação de atitudes negativas.

15 de agosto de 2019

Resenha: "Desigualdade" de Eduardo Moreira


Por: Jonas J. Berra


       Sabe-se que ao longo do século XX o capitalismo se tornou predominante no mundo ocidental com base em valores liberais como a liberdade, a iniciativa privada e a competitividade. Foi a partir desses valores que o homem ocidental foi se tornando cada vez mais individualista e egoísta, contra os valores do coletivismo que predominava nas sociedades tribais mais antigas. É em defesa de uma sociedade em que as pessoas sejam menos individualistas e egoístas é que Moreira propõe uma crítica ao que ele considera o maior problema do Brasil: a desigualdade.
         Seria muito bom se a tese de Eduardo Moreira fosse analisada por todos de um modo menos preconceituoso e mais racional. Afinal, não se trata de um astrólogo, ator pornô ou youtuber teen, mas um ex-banqueiro de investimento que tem a experiência real sobre um mundo de injustiças e desigualdades.
          Na obra “Desigualdade”, ele apresenta um pouco de sua trajetória desde a saída do mercado financeiro até se dedicar ao entendimento das comunidades que vivem em situação de vulnerabilidade social.
       Moreira propõe uma nova forma de compreender a riqueza, não em termos de dinheiro, individualismo e exclusão, mas recursos, comunidade e inclusão. Afinal, “vivemos no país que possui a maior desigualdade social do mundo, com 1% mais rico concentrando a maior parcela do total da renda gerada” (MOREIRA, 2019, p. 26).
      Dentre as vantagens ou qualificações da obra está o fato de que foi escrita principalmente voltada ao público leigo em economia. Dessa forma, pode ser usada como uma fonte de estudos inicial. Além disso, possibilita que pessoas dos diferentes níveis culturais leiam e compreendam onde o autor pretende chegar com suas ideias.
        Mas aí que está o “calcanhar de Aquiles” por assim dizer. O que não é um erro, porque provavelmente tenha sido intencional. Mas Moreira não coloca fontes bibliográficas. O texto todo parece ser um relato pessoal de sua experiência real, juntando com teorias econômicas e sociais que para quem vem da academia, salta aos olhos que não são ideias novas. Porém, por não ter referências parecem ser ideias do próprio Moreira. São evidentes ideias fundamentais de Rousseau e Marx, por exemplo. Parece uma tentativa de não se vincular às esquerdas. O que como estratégia pode ser válida, mas que coloca em xeque a cienticidade de suas ideias, já que é muito fácil acusá-las de não terem base teórica e não passarem de senso comum.
           Essa prática de não citar e escrever textos livres, contudo, levanta uma inquietação, que é a de se parecer com o texto de outros autores, de ideologia oposta, e que se utilizam de práticas anticientíficas por desprezarem o saber acadêmico e as letras. O que seria muito injusto, para quem conhece o discurso e acompanha a vida de Eduardo Moreira.
            O fato de não citar grandes economistas e filósofos parece uma técnica para pegar os iletrados desprevenidos, os fazendo ler a respeito daquilo que já tacharam de esquerdismo. Por essa razão, é uma obra que possui um grande mérito e pode contribuir muito com o desenvolvimento de um novo modo de pensar a economia brasileira fora de caixinhas ideológicas. 

MOREIRA, Eduardo. Desigualdade & caminhos para uma sociedade mais justa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.